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Editorial opinião

É preciso mais clareza nas decisões da Saúde

Os procedimentos de combate à Covid-19 no Brasil foram sempre cercados de dificuldades criadas pelas próprias autoridades governamentais. A resistência do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao uso de máscaras de proteção e o seu incentivo às aglomerações continuam sendo exemplos negativos que contribuíram para disseminar o contágio.

Além disso, é preciso lembrar o desleixo inicial do governo na compra de vacinas, em favor de um chamado "tratamento precoce", o que atrasou o início da imunização no Brasil, cujos reflexos prejudiciais se sentem até hoje. Bolsonaro e seus aliados travestiram-se de médicos, passando a receitar abertamente cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, entre outros medicamentos ineficazes contra a doença. Sem proporcionar benefício algum, sobraram para os pacientes somente os efeitos colaterais desses remédios, alguns deles fatais, devido ao uso incorreto e fora da bula.

O que está provocando a queda de casos e de mortes — como sempre afirmaram médicos e cientistas — é o avanço da vacinação, que só foi possível depois de intensa pressão de profissionais da saúde e da sociedade, além dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, obrigando o governo a se mexer para adquirir os imunizantes. Observa-se, em consequência que, quanto mais aumenta o número de pessoas imunizadas, decorre a consequente redução na transmissão e nas mortes pela doença.

Porém, infelizmente, os problemas continuam, como a falta de vacinas ou contradições em notas técnicas divulgadas pelo Ministério da Saúde, gerando confusão e descrédito nas informações.

Com relação à falta de imunizantes, enquanto o ministro Marcelo Queiroga diz haver "excesso de vacinas", estados reclamam da falta do medicamento. A lógica indica que os governadores têm razão, pois caso houvesse excesso de imunizantes, o processo de vacinação caminharia mais rapidamente do que está acontecendo.

Quanto às contradições, apenas 13 dias após uma nota técnica na qual era recomendada a vacinação de jovens entre 12 e 17 anos, mesmo sem comorbidades, a medida foi suspensa, sob a alegação de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a imunização para essa faixa etária. Acontece que não existe nenhuma orientação contrária no que diz respeito à vacinação de adolescentes. A OMS apenas informa que a vacinação dos jovens é "menos urgente", comparada a outros públicos, como é o caso de idosos ou pessoas com problemas crônicos de saúde.

Se Queiroga ou seus auxiliares perceberam que não haveria vacinas suficientes para imunizar, por ora, os jovens, que deixasse isso claro. Já existe confusão demais em todo o processo para que mais uma seja acrescentada, com o intuito de esconder possíveis falhas do Ministério da Saúde. n

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