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Editorial opinião

Educação e solidariedade

No momento em que as escolas da rede pública do Ceará começam a retomada do ensino presencial, depois de mais de um ano e meio de pandemia de Covid-19, é exemplar o trabalho de um grupo de alunos para "resgatar" colegas que, por algum motivo, não conseguiram retornar para as salas de aula. Eles fazem parte do Projeto Aluno Monitor da Busca Ativa Escolar, implementado pelo Governo do Ceará em unidades estaduais de educação.

Como mostrou reportagem do O POVO da última sexta-feira, dia 17, a iniciativa já começa a dar resultados. Os jovens monitores do Liceu Estadual Professor Domingos Brasileiro, por exemplo, conseguiram levar de volta para o ambiente escolar dez alunos que haviam se afastado da rotina pedagógica. Início promissor de uma missão que, claro, conta ainda com a participação de professores e especialistas da área. Os adolescentes, pelos laços afetivos criados e até mesmo pela forma comum de linguagem, são um elemento a mais na guerra contra a evasão escolar.

O novo projeto, que tem potencial para servir de modelo para o restante do País, oferta três mil bolsas para que alunos do ensino médio contribuam nesse processo complexo e delicado. Cada estudante recebe uma ajuda de custo no valor de R$ 200, que serve como incentivo para a realização de reuniões, planejamento e elaboração de estratégias para atrair jovens que estão longe da sala de aula.

Entretanto, para além da questão financeira, o que realmente move esses estudantes são os sentimentos de solidariedade e empatia, tão necessários em tempos de crise sanitária que, por sua vez, também gera problemas de natureza econômica e social.

Por isso, é importante ainda que os gestores da área da educação investiguem a fundo a razão pela qual esses alunos estão resistindo a retornar para as escolas. Talvez estejam passando por necessidade financeira ou enfrentando dificuldades emocionais e psicológicas, tendo em vista que a saúde mental de muitas pessoas ficou bastante abalada após a perda de familiares e amigos para a Covid-19.

Somado a isso, vale lembrar das consequências relacionadas ao isolamento social, como o aumento da violência contra mulheres, crianças e adolescentes. Traumas que podem dificultar ou até mesmo bloquear a vontade de voltar a estudar. Ou seja, mesmo estando presente em sala de aula, a aprendizagem tende a ficar comprometida em situações como essas.

Entretanto, a união de esforços dentro do campo escolar e a adoção de políticas públicas focadas pode vir a superar problemas como esses, garantido com isso oportunidades para todos e um futuro mais promissor para o País. n

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