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Editorial opinião

Fundação Palmares: um presidente fora de lugar

O presidente da República, Jair Bolsonaro, tem inclinação para nomear auxiliares, que podem ser considerados verdadeiros "antiministros", em algumas das pastas mais importantes do governo. Essas autoridades agiam (algumas foram afastadas) ou agem em confronto ao que se poderia esperar de alguém minimamente preparado para exercer o cargo para o qual foi indicado. Veja-se alguns casos

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, desde o início da atual gestão até junho deste ano, assumiu a pasta carregando um passivo na área. Era processado por, supostamente, favorecer mineradoras em um projeto de manejo do rio Tietê, quando era secretário estadual do Meio Ambiente na gestão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Deixou o governo acusado de agir para favorecer madeireiros ilegais no Amazonas.

Observe-se a ação desastrada de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, entre janeiro de 2019 e março de 2021, que conseguiu transformar o Brasil em um "pária" entre as nações, como ele mesmo reconheceu.

Pelo Ministério da Educação passaram cinco ministros, incluindo o atual, Milton Ribeiro, que parece atrapalhar menos, porém é adepto do castigo físico para crianças. Podia-se ainda incluir nesta conta um general, Eduardo Pazuello, nomeado ministro da Saúde, em plena pandemia, e Damares Alves, que comanda o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, porém é antípoda de algumas das principais reivindicações desses segmentos.

Outra extravagância, de um funcionário de alto escalão em um cargo que ele insiste vilipendiar, é Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, que já perpetrou absurdos como retirar 27 personalidades negras — indicados em governos anteriores — da lista de homenageados pela instituição. Além disso, Camargo dá declarações negando a existência do racismo estrutural no Brasil, mesmo presidindo uma instituição cujo objetivo é valorizar a presença afro nos diversos campos de atividade e combater o preconceito contra os negros.

Além desses gestos, por si só condenáveis, Camargo é acusado de assédio moral, perseguição ideológica e discriminação contra funcionários, considerados "esquerdistas". Segundo servidores, ele costuma associar pessoas que usam "cabelos altos" a malandros, e criou um clima de "terror psicológico" entre os empregados.

A situação chegou a tal ponto que foi aberto um processo contra ele na Justiça do Trabalho em Brasília, sendo que o juiz Gustavo Chehab ordenou que Camargo seja afastado das atividades relacionadas à gestão de pessoas da fundação, impedindo-o de nomear e exonerar servidores.

Pode parecer uma medida extrema, no entanto, o histórico de Camargo indica ser ele capaz de cometer tais agravos. Assim, é correta a decisão da Justiça em dar um basta a tais desmandos. n

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