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Editorial opinião

Passos para o público seguro no Castelão

Ontem, pela quinta vez desde março de 2020, quando as restrições decorrentes da pandemia de Covid-19 começaram no Estado, a Arena Castelão recebeu público para um jogo de futebol. Foram cerca de 570 dias em que as torcidas de Ceará e Fortaleza tiveram de se manter longe do calor das arquibancadas apesar de as duas equipes cearenses serem hoje nomes de peso da Série A do Campeonato Brasileiro.

A retomada do público nos estádios cearenses se iniciou em 2 de outubro. O Governo do Estado permitiu o retorno dos torcedores, contanto seguissem regras rígidas — como o uso obrigatório de máscaras e a exigência da imunização completa (com dose dupla ou única de vacina). Ainda como evento-teste, o poder público permitiu que até 10% da capacidade total do Gigante da Boa Vista fosse ocupada. Assim, a partida entre Fortaleza e Atlético-GO podia ter até 6.200 torcedores in loco, ainda que "apenas" 2.785 tenham comparecido.

O caráter de evento-teste também valeu para o Ceará. Quatro dias depois, 2.810 alvinegros compareceram ao jogo do time contra o Internacional-RS. Já como espetáculo autorizado pelo Governo em decreto estadual, o Tricolor ainda recebeu público diante do Flamengo-RJ (4.052) e Grêmio-RS (3.499). Dentro do estádio foram raras as aglomerações, ao contrário do visto em dezenas de praças esportivas Brasil afora.

Com exceção da Bahia, que não liberou a torcida já na entrada de outubro, o Ceará foi o Estado com maior restrição para o público. Além da exigência de imunização total, a limitação a 10% da capacidade total era maior que a de qualquer praça esportiva de clubes da Série A.

Com a manutenção da desaceleração da média de infecções e mortes no Estado, a partir de ontem a autorização era para ocupação de 30% dos assentos do Castelão, o que indica até 18.985 pessoas ao todo. Em confluência com a cautela indicada à população nos decretos de liberação, o público total foi maior, mas ainda tímido. Ao todo, 4.573 alvinegros assistiram à partida contra o Bragantino-SP, até pelo pouco intervalo entre flexibilização do decreto e realização do evento.

O avanço da flexibilização dos decretos de isolamento social levanta uma sensação de fim da pandemia e isso não se restringe ao estádio. O afã do reencontro, acumulado por um ano e sete meses de restrições por segurança sanitária, faz com que os riscos ressurjam.

As mudanças, entretanto, não significam o fim da ameaça do coronavírus. É uma realidade ainda presente, lembrada por quem ainda cumpre o isolamento à risca e que não pode ser esquecida por quem já se sente seguro para sair de casa. Alguns privilégios, como ver o time do coração em pé na arquibancada, dão uma sensação de normalidade àqueles já imunizados.

Tradicionalmente, os times cearense têm algumas das maiores médias de público do futebol brasileiro nos últimos anos. Ainda assim, a assiduidade do torcedor local ainda está a uma margem bem segura da capacidade total liberada. Neste domingo, por exemplo, foram 4.573 torcedores, diante de 18.985 liberados. Não é falta de paixão. É zelo do torcedor que, aos poucos e quando seguro, deve voltar a acender o Castelão de emoções.

O segundo passo, o aumento da capacidade, foi dado. Desta vez, o futebol finca o pé em terreno mais arenoso. O Governo do Estado anunciou que, a partir da próxima semana, a liberação chega a 50% da arquibancada do Castelão.

Para o avanço das duas primeiras fases, foi essencial a responsabilidade do torcedor que foi ao estádio. A premissa é a mesma para não darmos nenhum passo atrás. n

 

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