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Editorial: Buggy em dunas de Fortaleza: ideia absurda

A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou, na semana passada, um projeto que representa relativo risco para os já combalidos ecossistemas da Capital. De autoria do vereador Gardel Rolim (PDT), a nova proposta regulamenta o chamado serviço de "Buggy Turismo" na Cidade, permitindo o tráfego desse tipo de veículo em áreas como praias, dunas, regiões de lagoas e sítios de valor histórico e cultural. Apesar de não especificar que locais exatamente seriam explorados pela atividade, surge o alerta de que áreas ambientalmente sensíveis possam ser afetadas, provocando ainda mais danos aos resquícios de espaços naturais que resistiram à desenfreada urbanização do município.

No caso das dunas, são poucas as existentes em Fortaleza, resultado de um crescimento que ignorou esse importante patrimônio ambiental, responsável, por exemplo, pelo abastecimento dos lençóis freáticos, cada vez mais raros diante do processo de impermeabilização do solo. Sem eles, nossos recursos hídricos ficam ainda mais comprometidos, estressando todo o sistema ecológico da cidade.

Os últimos remanescentes de terrenos dunares não chegam a 17% da cobertura original. Sim, Fortaleza já foi um grande areal. Caso a medida seja sancionada na íntegra pelo prefeito José Sarto (PDT), seriam diretamente impactados o Parque Natural das Dunas da Sabiaguaba, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Sabiaguaba e também o Parque Estadual do Cocó, regiões já bastante alteradas pela especulação imobiliária e outras intervenções desastrosas.

Cidades modernas precisar apostar no turismo sustável, que alie desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda e preservação dos recursos naturais. Atividades imediatistas, como é o caso dos passeios de buggy em dunas, não se inserem nessa lógica, que precisa nortear sempre o trabalho dos nossos representantes, seja no Executivo, seja no Legislativo.

Existem muitas potencialidades turísticas em Fortaleza que não têm impacto degradante. Temos um Centro riquíssimo em termos históricos e arquitetônicos, mas pouquíssimo explorado. Nosso Passeio Público é lindo, mas existem pessoas que nunca nem pisaram lá. Nossas áreas verdes também podem figurar com atrativos, mas desde que sob a ótica do turismo de baixo impacto, o que, definitivamente, não é o caso dos buggys.

Sendo assim, a expectativa é que José Sarto vete o artigo do projeto que trata da regulamentação dos passeios em áreas ambientais, dando à Câmara e à própria população a oportunidade de debater mais a proposta, cuja tramitação ocorreu em tempo recorde. Foi apresentada no dia 23 de novembro e no dia 1º de dezembro já estava aprovada pelo plenário. Assunto de tamanha relevância e com impactos tão sérios não pode ser discutido a toque de caixa. Há, inclusive, um diálogo já estabelecido entre o autor da proposta e o vereador Gabriel Aguiar (Psol), um dos nomes que trouxe a polêmica à tona. Que o discernimento e o bom senso prevaleçam nesse caso, resguardando a todo custo nossas dunas. Ganha o meio ambiente, ganha a população, ganha a Cidade. 

 

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