
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
É de dar náuseas o enredo da novela que envolve a mais recente operação da Polícia Federal contra a pedofilia, este mal que ameaça lares e famílias no mundo todo, não apenas do Brasil. As prisões e descobertas feitas pelas autoridades nos últimos dias no Ceará, como resultado de uma cuidadosa investigação que exigiu muita inteligência dos agentes envolvidos, indicam um problema grave que não se resolverá pelo caminho único da repressão. Muito embora este seja um passo inicial indispensável para que se faça um combate que torne possível ainda pensarmos na reversão de um cenário dramático que, desconsidere-se qualquer outra alternativa, precisa ser transformado.
Há um quadro de desestruturação familiar por onde passa uma parte do problema. Os agentes da PF encontraram, nesta ação específica, mães ou parentes próximas das vítimas, inocentes crianças entregues a práticas sexuais inaceitáveis, envolvidas na trama e sem necessariamente que estivessem obtendo benefícios financeiros. Aliás, o que está apontado na apuração até agora é que isso não existiu. Ou seja, sequer dá para tentarmos entender o fenômeno criminoso, numa ação quase desesperada de buscar explicações para ele e sem que isso reduzisse um milímetro de sua gravidade extrema, considerando o aspecto da miséria ou da situação econômica eventual.
O combate à pedofilia, uma prática ilegal potencializada pela falta de limites físicos e éticos que as novas tecnologias muitas vezes facilitam, com seus mundos subterrâneos, é um dos maiores desafios atuais da sociedade e exige de todas as forças do bem um envolvimento maior e de caráter permanente. A ação firme de resposta do Estado, via polícia, representa apenas uma parte da luta, defendendo-se, claro, que seja a cada mais intensificada como meio de inibir qualquer ação que coloque nossas crianças em risco. Não é o caso de trégua contra esse tipo de gente.
A Operação Anêmona, referência a uma espécie do mar que tem por característica não cuidar dos filhos, com o balanço das seis mães que levou à prisão na última segunda-feira por abusarem sexualmente de crianças que elas próprias trouxeram ao mundo, em princípio objetivando apenas satisfazer a lascívia de um personagem que conheciam apenas pelas redes sociais, é um tapa na cara da sociedade. Tudo que a cerca exige uma reflexão coletiva profunda, não apenas para nos fazer mais participativos em ações necessárias que enfrentem os efeitos, mas, também, colocando-nos num plano em que a busca das causas nos mobilize com a mesma atenção. As vítimas reais e concretas, inocentes crianças, precisam disso para lhes garantirmos alguma ideia de futuro melhor no qual possam acreditar. De verdade. n
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