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Os números inaceitáveis dos maus-tratos de animais
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Os números inaceitáveis dos maus-tratos de animais

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O quadro levantado pelo O POVO e exposto em material especial assinado pela repórter Gabriela Almeida é mais um dos indicadores da doença social que hoje se espraia pelas áreas diversas e envolve situações variadas na realidade que nos cerca. É inexplicável o aumento de 10% no registro de denúncias de maus-tratos contra animais no Estado no ano de 2025, em comparação com 2024, considerado apenas o período entre janeiro e setembro.

Há possibilidade, portanto, de a situação demonstrar-se ainda pior quando os números forem atualizados. O levantamento da repórter mostra que foram 874 casos em 2025 contra 794 do ano imediatamente anterior, observados, claro, apenas os nove primeiros meses de cada período. Quando o estudo localiza somente o que acontece em Fortaleza o resultado obtido é ainda mais preocupante, com aumento de 13% nas ações do tipo denunciadas.

Os dados oficiais, fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, dizem respeito a vários episódios de maus tratos que se verificaram no cotidiano das cidades cearenses. Parece evidente que a violência contra animais, que se manifesta das formas mais diversas, do simples abandono à agressão física, expressa um quadro que marca o comportamento da sociedade brasileira, trata-se, portanto, de um fenômeno nacional. Embora, claro, estes números apresentados expressem somente a realidade local.

As estatísticas que produzimos quando se trata da temática da segurança pública são preocupantes em praticamente todos os aspectos e parece justo sugerir que se debata o assunto com seriedade maior. Ainda mais porque isso envolve lidar com seres que, em geral, exigem pouco para terem suas necessidades básicas atendidas.

É um problema, dos muitos que temos na sociedade desarranjada dos dias atuais, que como primeiro passo indispensável no rumo de uma solução precisa que façamos, nós mesmos, uma reflexão sobre o comportamento que costumamos adotar diante dele. A partir disso, sim, façamos a cobrança necessária às autoridades e às instituições públicas que têm responsabilidade com o quadro. E até mesmo se ele tem a ver com a falta de leis ou baixa aplicação das que já existem.

Certo mesmo é que não se pode ter como normal mais esse retrato trágico do nosso comportamento social. Parece injusto com abnegados militantes da causa ou com agentes públicos que desenvolvem ações diárias de defesa dos animais, em relação aos maus tratos e violência de que são vítimas, entregar à ação quase heroica que desenvolvem a busca de uma reversão.

Trata-se de uma tragédia que todos podemos ajudar a combater, fazendo cada um a sua parte no dia-a-dia e, quando necessário, denunciando todas situação de que for testemunha. Parece pouco, mas já seria muito. n

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