O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá mais um passo em sua política de demolir os organismos multilaterais e de colaboração internacional. A Casa Branca anunciou a saída de 66 organizações internacionais, sendo 35 delas pertencentes à Organização das Nações Unidas (ONU) e outras 31 sem vínculo com a entidade.
Em uma rede social, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou as entidades como "organizações internacionais antiamericanas ou inúteis (...) Vamos parar de subsidiar burocratas e globalistas, que agem contra nossos interesses".
Na verdade, a iniciativa faz parte da pauta do isolacionismo pregado pela ultradireita, de "América em primeiro lugar", e de rejeição a programas de diversidade e aqueles voltados à agenda ambiental e de transição energética.
Também foram atingidas agências voltadas a temas sociais e humanitários, pelo menos três delas dedicadas à proteção de crianças em conflitos armados. Uma para a proteção de crianças em áreas de guerra; outra com foco no combate à violência sexual; e a terceira que trabalha para evitar todas as formas de violência contra a infância.
Essa não foi a primeira vez e, pelo que diz Rubio, não será a última, que os Estados Unidos cortam verbas de organizações que eles consideram "globalistas", mas são fundamentais para socorrer pessoas vulneráveis, em áreas nas quais é difícil chegar até mesmo ajuda governamental.
Já faz algum tempo que o governo Trump vem reduzindo o financiamento ou retirando o país de vários organismos multilaterais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e agência de assistência aos refugiados da Palestina.
Washington também reduziu significativamente os repasses à Agência para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), por meio da qual os Estados Unidos atuam, principalmente em países em desenvolvimento, implementando diversos programas sociais, inclusive de combate à fome.
Na essência, é mais uma tentativa da Casa Branca de redesenhar o mundo a partir de uma retrógrada e exclusivista visão de política. Por isso, Trump busca esvaziar o papel de organismos multilaterais, em especial a ONU, de modo a continuar agindo à revelia do direito internacional.
O fato é que os Estados Unidos caminham para o unilateralismo em último grau, que se confronta com um mundo complexo, com vários centros de poder, choque que poderá gerar uma convulsão sem precedentes, com potencial de gerar uma perigosa crise global.
O mundo, incluindo o ambiente doméstico norte-americano, a partir dos mecanismos democráticos, precisa encontrar uma forma de conter Trump e seus arroubos autoritários.
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