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A maior zona de livre comércio do mundo
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A maior zona de livre comércio do mundo

União Europeia e Mercosul assinam acordo comercial depois de mais de duas décadas de negociação
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Após negociações que duraram um quarto de século, o Conselho Europeu, composto por diplomatas dos 27 países do bloco, aprovou o tratado comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul, em reunião ocorrida nesta sexta-feira, em Bruxelas (Bélgica). A decisão foi possível depois de a proposta ter recebido os 15 votos necessários para representar 65% da população dos Estados-membros.

Para alcançar a maioria qualificada para a aprovação, foram feitas novas concessões aos produtores agrícolas europeus, que temem a concorrência de quatro países do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Itália, cujo voto era essencial para a aprovação, reivindicou um mecanismo para sustar importações a partir de um determinado patamar.

O acordo foi formalizado por escrito pelos governos dos países que integram a UE, mas ainda terá de ser aprovado no Parlamento Europeu. No entanto, analistas não veem dificuldade nessa etapa, pois basta alcançar a maioria simples entre os integrantes do bloco para referendar a decisão.

O bloco Mercosul/UE criará a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. E o pacto é mais do que um arranjo comercial para eliminar tarifas de importação e exportação. Prevê também diálogo político em torno de temas como democracia e direitos humanos, além de cooperação em assuntos relativos ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

Por óbvio, a decisão a que chegaram a UE e o Mercosul não representa uma resposta ao unilateralismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que põe o mundo sob ameaça. Porém, os países europeus e sul-americanos deram um belo exemplo de como é possível chegar a um bom resultado, mesmo nas situações mais complexas, por meio da negociação e do diálogo, um processo mais demorado, mas que respeita as leis internacionais e os costumes democráticos, dispensando a violência.

Mas o acordo, quando estiver em pleno funcionamento, contribuirá para ambos os blocos reduzirem a dependência das grandes potências, como Estados Unidos e China, abrindo uma grande janela para a diversificação de parceiros comerciais. O acerto, como referido acima, não se limita ao comércio, mas representa uma aproximação das relações políticas, entre a Europa e a América do Sul, em um contexto que se faz cada vez mais necessários, apontar na direção de um mundo multipolar, em que o poder seja distribuído de forma mais equitativa.

Um dos chefes de Estado que mais batalharam pelo sucesso do tratado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, tremendo novos adiamentos, esperou até a confirmação oficial do acordo para manifestar-se, comemorando “um dia histórico para o multilateralismo”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende levar o acordo para ser assinado na próxima semana, em reunião no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul. A demora nas negociações poderia agora ser compensada agilizando-se os procedimentos para pôr em prática o tratado.

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