O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
Os números dos homicídios registrados no Ceará no difícil ano de 2025 foram fechados e estão apresentados à sociedade pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Foram 3.201 mortes violentas no período, configurando um cenário com o qual não podemos estabelecer uma relação de naturalidade, independente do que a estatística informe quando colocada em perspectiva ao lado de outras, igualmente trágicas e até piores, de temporadas anteriores.
Seria enganoso qualquer clima de festa pelo fato de, na comparação com 2024, ter-se dado uma queda de 7,7% nos registros cearenses de homicídios. Alguém dirá, numa matemática simples, que, de qualquer forma, foram próximo de 200 vidas poupadas, se considerado o fato de no ano anterior terem sido 3,2 mil casos de mortes violentas. Não há como aceitar isso, em qualquer circunstância, e o quadro exige ações que busquem uma saída que seja a mais rápida possível.
É injusto, fora do debate legítimo que se encontra estabelecido e do interesse igualmente aceitável de forças de oposição de assumirem o poder, adotar um tom crítico que jogue toda a responsabilidade do cenário nos governantes atuais. Todas não, mas uma parte considerável sim.
Dos que hoje detêm poder no Ceará devem ser cobradas as iniciativas e políticas na área de segurança pública que apontem o caminho de uma mudança, como ponto de partida, mas o envolvimento precisa ser mais amplo, de todos nós, e, inclusive, inclusive, buscando colocar de lado qualquer outro interesse pessoal, particular ou de grupo.
De volta aos números do ano passado, eles são ruins quando nos dispomos a olhá-los sem viés e descolando-os de comparações que parecem pouco úteis quando se busca enxergar um horizonte melhor numa perspectiva de futuro. Aceitável, pelo menos, quando se trata de conviver com a violência nossa de todo dia. Apenas em Fortaleza foram 742 homicídios (11% menos que em 2024), aliás, tendência que a Região Metropolitana que a capital integra não acompanhou e, ao contrário, aqui houve aumento de 5,9% na quantidade de mortes entre um ano e outro. O que só reforça a complexidade da realidade que há diante de nós.
O ano é eleitoral, entre agosto e outubro teremos, certamente, um debate profundo e necessário sobre o quadro, mas, enquanto isso, seria interessante que todas as forças de bem, sejam elas do governo, da oposição ou neutras, encontram-se uma maneira de atuar juntas em favor da sociedade, política à parte. A perda de tempo, neste caso, resulta em mortes e não há como recuperar o prejuízo para famílias e pessoas que perdem entes queridos como resultado de uma realidade que, insista-se, não podemos naturalizar. n
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