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A violência estatal no Irã
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Editorial opinião

A violência estatal no Irã

Cabe à ONU fazer um chamado à razão para sustar a continuidade da barbárie
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Nada indica que os grandes protestos que sacodem o Irã e ameaçam o governo dos aiatolás vão arrefecer. A brutal repressão que se abate sobre os manifestantes não conseguiu conter o movimento, que já custou a vida de aproximadamente 2.500 iranianos, assassinados pelas forças de segurança do Estado. Ao mesmo tempo, o regime dos aiatolás recrudesce a violência sobre seus cidadãos.

Segundo reportagem do jornal The Guardian (13/1/2026), os militares que reprimem os protestos estão atirando deliberadamente nos olhos e na cabeça dos manifestantes. Em mensagem enviada ao periódico britânico, três médicos afirmam que os ferimentos a bala estavam concentrados nos olhos e na cabeça dos manifestantes. Em um único hospital teriam sido registrados cerca de 400 ferimentos oculares.

Segundo entidades de direitos humanos, a mesma tática foi usada nos protestos ocorridos em 2022, depois que uma jovem, Jina Mahsa Amini, foi morta quando estava sob a custódia do Estado. Ela havia sido presa pela polícia de costumes, acusada de usar de forma errada o véu islâmico.

Mas a escalada da ditadura teocrática não tem limites. Teerã informou que condenará à morte quem for preso participando das manifestações. Rapidamente, a crueldade foi posta em prática. Em um simulacro de julgamento, que correu velozmente, sem direito a advogado, Erfan Soltani foi condenado à morte por enforcamento, acusado do "crime" de ser "inimigo de Deus".

A violência extrema com que o governo iraniano trata seu próprio povo é injustificável sob qualquer aspecto que se analise, e tem de ser repelida sem restrições. Não há direito, humano ou divino, que legitime o massacre que se desenrola aos olhos do mundo.

Mas, em casos assim, a prudência é necessária para evitar que a situação já extrema se agrave ainda mais. As ameaças do presidente americano, Donald Trump, sugerindo um ataque direto ao Irã, não encontram respaldo nem mesmo entre os países amigos de Teerã no Oriente Médio. Além disso, a condenação de Efran Soltani é vista como uma resposta desafiadora às palavras de Trump.

Da mesma forma, apenas condenar a brutalidade estatal, sem medidas concretas que contribuam para sustar a repressão, pouco ajudam. A comunidade internacional — principalmente os países de maior influência — precisa encontrar formas de conter o regime iraniano com medidas firmes, mas respeitando a legislação internacional.

Os organismos multilaterais precisam entrar em cena, especialmente a Organização das Nações Unidas (ONU), para tentar resolver a complexa situação. Apesar de sua fragilidade, cabe à ONU fazer um chamado à razão para sustar a continuidade da barbárie.

 

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