O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O escândalo que envolve o Banco Master insere-se entre os maiores que o Brasil já viu acontecer em seu sistema financeiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chega a sugerir que a evolução do que tem sido descoberto pode transformá-lo no maior caso da história, com bilhões de reais desviados para atender interesses pessoais e enriquecer o patrimônio pessoal de gente mal intencionada, em especial os proprietários da instituição envolvida e seus executivos.
O Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado, medida extrema adotada diante de um quadro grave de crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras. Os reflexos sobre o sistema financeiro são inevitáveis considerando que apenas na instituição diretamente atingida há um contingente de 1,6 milhão de clientes prejudicados. É onde a conta nos chega, a todos, através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
É um cenário desafiador, complexo e que exige uma ação de resposta de Estado que some todas as forças disponíveis e competentes. No sentido de sabermos o que aconteceu, quem são os responsáveis e os caminhos legais que podem, e devem, ser adotados para que as situações provadas sejam devidamente punidas. O peso do exemplo será fundamental para garantir, inclusive, que o sistema se fortaleça para situações futuras.
Infelizmente, ao contrário do que seria o recomendável, há problemas de convivência entre as instâncias públicas mobilizadas para investigação. A começar pelo Judiciário, diante das críticas que têm sido feitas ao comportamento do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, o que tem gerado um quadro tenso nas relações, em especial, com a Polícia Federal. Infelizmente, cenário que fragiliza o lado que precisa estar forte para o enfrentamento de interesses que envolvem figuras poderosas, no ambiente econômico e na estrutura política.
Há necessidade de um freio de arrumação e, nesse sentido, a iniciativa do presidente da República de chamar para uma reunião, na semana passada, representantes da Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal e o ministro que responde no momento pela presidência do STF, Alexandre de Moraes, pode ser um primeiro movimento importante nesse sentido. Mesmo que, no nosso entendimento, o Ministério Público também devesse fazer parte da conversa, pelo papel fundamental que lhe cabe na fase de investigação e, mais adiante, na denúncia contra os que tiverem responsabilidade comprovada.
Não é momento para brigas e desentendimentos, mesmo que não se deva cobrar uma postura de subserviência e que seja importante preservar os espaços de independência e autonomia. O que não pode, e tem sido eventualmente observado, é deixar que se instale um quadro de competição onde deve prevalecer a colaboração na busca do objetivo comum, tratando-se de órgãos públicos com tarefas e competências definidas em lei, de proteger o cidadão.
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