Logo O POVO+
A realidade chocante dos feminicídios
Comentar
Foto de Editorial
clique para exibir bio do colunista

O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública

Editorial opinião

A realidade chocante dos feminicídios

É preciso fomentar um amplo debate sobre a masculinidade tóxica, levando o tema para as salas de aula e para os locais de trabalho
Comentar

Quatro mulheres foram assassinadas por dia, vítimas de feminicídio em 2025, um número assustador, que deveria causar um clamor por medidas mais eficazes para protegê-las. Não se pode admitir esse verdadeiro massacre que atinge as mulheres pela condição de gênero, uma violência extrema que parece não ter fim.

Em números absolutos, aconteceram 1.470 mortes de janeiro a dezembro do ano passado, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2024, foram 1.464 casos, a maior marca, até então, da série histórica, iniciada em 2015 com a tipificação do crime — e tragicamente superada agora. Comparada com o início da contagem, quando foram registrados 535 mortes, os feminicídios triplicaram.

Observe-se que, no decorrer do tempo, foram criados ou aperfeiçoados vários mecanismos de proteção à mulher. Além da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, insere-se nesse esforço medidas protetivas de urgência, delegacias especializadas no atendimento à mulher, central telefônica para receber denúncias e a Casa da Mulher Brasileira. Mesmo assim, a brutalidade não cede.

Além dos ataques fatais, as mulheres são atingidas por outros tipos de violência. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, considerando o primeiro semestre de 2025, acontecem 187 estupros por dia no Brasil. Por meio da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, o DataSenado informa que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025.

Em reportagem publicada na edição desta quarta-feira, O POVO mostrou que foram registrados 1.927 crimes sexuais no Ceará em 2025. Entre as vítimas, 86% eram mulheres, de todas as idades, desde uma bebê, até uma senhora de 87 anos. É uma realidade chocante e persistente, mas que precisa ser enfrentada energicamente. Os dados são do Painel Dinâmico da Superintendência de Pesquisa e Estratégica de Segurança Pública (Supesp).

Falando à agência gov, sobre o assunto, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, classificou de "estarrecedora" a situação no País. Ela declarou que a violência de gênero não pode ser naturalizada, exigindo "ampla mobilização". De fato, é preciso ter claro que essa é uma luta que não pode se restringir às mulheres. Uma sociedade que se diz civilizada não pode tolerar o machismo estrutural, a misoginia e a violência de gênero. Uma combinação venenosa, que faz da vida das mulheres um inferno, no qual elas vivem em sobressalto, temendo uma agressão ou mesmo a morte.

É preciso fomentar um amplo debate sobre a masculinidade tóxica, levando o tema para as salas de aula e para os locais de trabalho. As crianças têm de aprender desde cedo sobre a igualdade de gênero. Sem um esforço coletivo, será difícil reverter essa realidade terrível.

 

Foto do Editorial

O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.

O que você achou desse conteúdo?