O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
Todo mundo conhece alguém que já sofreu um golpe no Brasil. Quem nunca foi vítima de uma tentativa de extorsão, provavelmente vai precisar enfrentar a prática criminosa em algum ponto da vida.
O ambiente virtual, sem divisas ou fronteiras, é fértil para a disseminação de golpes. No centro de tal realidade está a facilidade com que criminosos conseguem acessar dados sigilosos de usuários brasileiros. Conforme alerta Lucas Barbosa, jornalista de Segurança Pública do O POVO e colunista do O POVO , tais informações sensíveis estão à venda na internet, por preços módicos, em aplicativos como Telegram, WhatsApp, Discord etc.
Criminosos coletam tais dados e constroem golpes cada vez mais elaborados, buscando vulnerabilidades e explorando a boa-fé dos cidadãos. Munidos de informações pessoais, eles transformam a tentativa de extorsão em uma narrativa criminosa mais crível, explorando brechas da vida íntima para roubar dinheiro das vítimas.
Com facilidade, grupos criminosos conseguem o número do RG e o endereço de praticamente qualquer brasileiro. Descobrem e-mail, aprendem detalhes sobre a família da vítima. Há registros públicos de criminosos "matarem" pessoas no sistema do Sistema Único de Saúde (SUS), gerando dor de cabeça burocrática para adversários políticos. No centro disso tudo está a lentidão de diferentes esferas do poder público para agir de forma a coibir tais práticas ilícitas.
O ambiente virtual não é terra sem lei. As práticas criminosas evoluem a cada dia, ameaçando a segurança digital e financeira dos cidadãos. Cabe à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) adotar um posicionamento sistemático contra o "mercado livre" de informações sigilosas de brasileiros.
Para isso, porém, é necessário um fortalecimento institucional do órgão, com ampliação de investimentos em segurança digital, de forma a intensificar o combate às organizações criminosas voltadas à extorsão. Cabe ainda ao Poder Legislativo a aprovação de leis que contemplem o combate a novas modalidades de crimes, bem como o direcionamento de recursos para as diferentes esferas especializadas no policiamento digital.
Quem também tem papel central são as gigantes tecnológicas, conhecidas como big techs. É urgente que elas se responsabilizem pelos crimes cometidos com recursos por elas oferecidos. São empresas estrangeiras que, para atuar no Brasil, devem ser obrigadas a se adequar à legislação local. Autoridades policiais, em conjunto com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, devem instar as big techs a facilitarem o trabalho investigativo e a criarem mecanismos de controle, sob risco de serem apontadas como cúmplices de práticas criminosas.
Como alerta o colunista Lucas Barbosa, a redução dos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) mascara a explosão das extorsões, impulsionadas pelas facilidades do ambiente digital. Houve uma migração da violência, que hoje opera menos pela força e mais pela informação. Se o Estado não acompanhar essa transformação com investimento, regulação e ação coordenada, seguirá reagindo sempre tarde demais. Proteger dados, portanto, deixou de ser um detalhe técnico: tornou-se uma política pública essencial para a segurança do cidadão. n
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.