O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
A indicação do filme "O Agente Secreto" para disputa final do Oscar em quatro categorias - melhor elenco, melhor filme internacional, melhor filme e melhor ator (Wagner Moura) - poderia estar sendo comemorada hoje como, simplesmente, uma vitória da cultura nacional, do cinema brasileiro. Infelizmente, as circunstâncias impedem que assim o seja e parcela da população opta por minimizar o feito, quando não criticá-lo, por razões puramente políticas (partidárias em algumas situações) e ideológicas.
Claro que não se pode cobrar do público que goste da obra apenas, no caso, por ser brasileira. O que acontece é que o reconhecimento da comunidade cinematográfica internacional a um filme que já acumula 56 premiações mundo afora na sua participação em festivais e eventos diversos, pode sim, até deve, ser entendida como fator de orgulho nacional. Não há porque deixar que razões estranhas determinem o contrário.
Seria um erro, até ingenuidade, esperar que a área da cultura, e particularmente o cinema, estivesse alheia a um momento confuso da política, com reflexos fortes e diretos no ambiente brasileiro. Tudo acaba resumido a um debate entre esquerda e direita, ainda mais porque em geral os envolvidos, da parte do cinema, têm suas visões do mundo muito claras e não têm medo de expressá-la sempre que chamados a fazê-lo.
O feito extraordinário da obra brasileira, agora reafirmado no espaço de maior referência na cinematografia global, deveria servir para um outro debate. Com foco na eficiência dos investimentos que se faz, utilizando verba pública, numa atividade que concilia vários interesses de uma maneira exemplar. É útil e necessário à cultura do País, portanto à memória e ao fortalecimento de seu caráter nacional, na mesma medida em que movimenta uma poderosa cadeia econômica, gerando empregos e distribuindo renda. É algo que vai além do simples divertimento.
O desempenho extraordinário agora do nosso cinema repete a performance destacada do ano passado, no mesmo Oscar, quando "Ainda Estou Aqui" foi indicado para três categorias e, inclusive, venceu a disputa de melhor filme estrangeiro. Portanto, não é fruto do acaso a melhora nos últimos anos, lembrando-se que até 2025 o País nunca conquistara um prêmio máximo, registrando apenas indicações ao longo da história.
O debate que o momento extraordinário pede, portanto, deve buscar meios de aproveitá-lo para o desenvolvimento de uma política de Estado, que resista a mudanças de governo e assegure melhores condições aos nossos atores, diretores, técnicos, a todos os envolvidos com o processo, enfim, para exercerem seus talentos. O público, que deve ser sempre o objetivo final de tudo. agradece. n
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