O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
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A primeira chuva forte deste ano, ocorrida nesta terça-feira, a poucos dias do início oficial da quadra chuvosa, já provocou uma tragédia. Um adolescente, morador do bairro Granja Portugal, que brincava em um canal atravessado pelo rio Maranguapinho, morreu ao ser arrastado pela enxurrada, devido ao aumento do volume de água provocado pela tempestade.
Velhos problemas, como casas invadidas pelas águas, alagamentos, queda de árvores e de fios, falta de energia elétrica, semáforos apagados, danos em imóveis, dificuldade em transitar pelas vias, levaram transtorno ao cotidiano de milhares de pessoas, situação que se repete ano após ano.
Fortaleza tem cerca de 200 áreas de risco mapeadas pela Prefeitura para definir a construção de obras para evitar os perigos decorrentes da falta de infraestrutura. São áreas sujeitas a alagamentos, inundações, deslizamentos e outros problemas, que deixam os moradores em situação vulnerável.
Contudo, apenas a identificação das áreas de risco, sem a implementação de projetos que ofereçam habitações seguras às pessoas que vivem nessas áreas, pouco adianta. Lembrando que as previsões para os próximos 15 dias indicam a continuidade das chuvas, portanto, medidas urgentes precisam ser tomadas, pois obras de infraestrutura são demoradas.
Mas, além do poder público, a população também deveria ter um pouco mais de consciência, pois um dos problemas que agrava os danos decorrentes das chuvas são bueiros entupidos, pelo descarte incorreto de lixo e ligações clandestinas de esgoto em galerias pluviais. Vale também atender às orientações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, em caso de tempestades, como buscar um local seguro, não transitar por vias sujeitas a alagamento e ficar atento ao sinal de aumento do fluxo de águas em áreas de risco. São medidas paliativas, mas que podem salvar vidas.
Esses problemas não são exclusivos do Ceará, porém distribuídos por praticamente todas as grandes cidades brasileiras, que não conseguem fazer um planejamento a longo prazo para reduzir os danos causados pelas chuvas, ou melhor dizendo, pela falta de preparo para conviver com um fenômeno natural inevitável. O desastre de 2024, no Rio Grande do Sul, deveria ter acendido um sinal de alerta nos municípios para a necessidade de se preparar para enfrentar condições adversas e, mais do que isso, tomar medidas para evitá-las.
É ainda preciso considerar que, com o aquecimento global, os fenômenos naturais serão cada vez mais extremos, exigindo medidas extras para enfrentá-los. Segundo os cientistas, as chuvas serão mais irregulares e mais intensa. Isso não significa que isso ocorrerá neste ano no Ceará, mas que é necessário estar preparado para dar resposta às mudanças climáticas, que não podem mais ser ignoradas.
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