O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
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Como era previsível, o Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) da economia em 15% ao ano. É o maior índice desde 2006, e também a quinta reunião consecutiva do Comitê de Política Monetária (Copom) em que o percentual é mantido.
Em seu comunicado, o BC informa que resolveu manter a Selic devido a vários fatores, incluindo a situação internacional: "O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica".
Quanto às questões internas, o Copom cita ter havido "moderação" no crescimento das atividades econômicas, mas "resiliência" do mercado de trabalho.
Resumindo, o Banco Central argumenta ter havido redução no crescimento da atividade econômica, mas o mercado de trabalho continua aquecido, favorecendo a inflação. Além disso, segundo o BC, o índice está acima da meta e, para evitar o crescimento da inflação, seria necessário conter o consumo.
Acontece que o centro da meta inflacionária é de 3%, com uma banda de 1,5% para cima ou para baixo. A inflação está em 4,5%, portanto não superou o limite do intervalo estabelecido pela regra. Além disso, há de se considerar que o centro da meta em 3% é irreal para uma economia como a do Brasil, um país com inflação estruturalmente mais alta.
Por isso, reduzir a taxa de juros é uma reivindicação que tem a força de unir entidades representativas de empresários e trabalhadores, que normalmente estão em campos opostos.
Em nota, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) referiu-se duramente à decisão do Copom: "Juros em 15% são um boicote ao povo; penalizam trabalhadores, encarecem crédito e freiam consumo e emprego". A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) também fez críticas: "Juros altos ignoram desaceleração da inflação, restringem investimento e criam custos extras para a indústria".
De qualquer forma, desta vez, o comunicado do Banco Central evitou, o tanto quanto pôde, uma linguagem cifrada para informar que, na reunião de março, o Copom vai começar a reduzir a taxa de juros: "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta". Ainda que com atraso, a hora está marcada.
A projeção do mercado financeiro é que a Selic ficará em aproximadamente 12% até o fim do ano. Mesmo assim, descontada a inflação prevista de 4% para o período, o Brasil continuará sendo o país com a segunda maior taxa de juros real do planeta, atrás apenas da Rússia. Não parece razoável.
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