O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
Reportagem exclusiva publicada na edição de sexta-feira, assinada pelos jornalistas Guilherme Siqueira e Kleber Carvalho, mostra que uma prática inaceitável vem ocorrendo em hospitais públicos no Ceará no que se refere ao descaso com a proteção de dados dos pacientes.
A investigação jornalística mostra que sites abertos, conhecidos como "bloco de notas", são utilizados para registrar dados sensíveis dos pacientes, como prontuários médicos e outras informações pessoais. Entre elas, o nome dos pacientes e acompanhantes, telefone, CPF e até senhas para acessar outros serviços hospitalares, como exames laboratoriais e atestados médicos. O conteúdo registrado nesses sites pode ser acessado por qualquer usuário.
Observe-se que não se trata de ação de hackers tentando prejudicar os serviços de saúde, mas um atalho que estudantes de medicina e médicos usam para evitar a precariedade dos sistemas de informática dos hospitais públicos, estaduais e federais.
A reportagem procurou entender por que os dados dos pacientes são inseridos em sites abertos e não na plataforma de informática dos próprios hospitais. Segundo as fontes ouvidas, o sistema dos hospitais é precário e trava com frequência. Quando isso acontece ou quando falta energia, todas as informações anotadas se perdem, pois a plataforma oficial não salva o texto automaticamente.
Assim, médicos e estudantes apelam para os "blocos de notas" externos para preencher o prontuário e outros papéis, depois usam o "copia e cola" para transferir as informações para o sistema oficial. No entanto, dados que deveriam ser confidenciais ficam expostos nos sites com baixos mecanismos de segurança.
Segundo os estudantes, eles são orientados a utilizar esses mecanismos externos para "não perder" a história clínica do paciente em caso de travamento ou queda de energia.
Ressalte-se que, no domingo da semana passada, o editorial do O POVO tratou justamente da urgência de medidas para garantir a proteção de dados, devido à verdadeira epidemia de golpes online que toma conta do Brasil.
Portanto, é inadmissível a atitude dos hospitais públicos no Ceará ao tratarem com esse grau de irresponsabilidade os dados de seus pacientes. Assim, voluntariamente, eles abrem uma porta para facilitar a ação de criminosos.
Pode até ser que os trabalhadores de saúde, com a conivência de seus administradores, tenham agido com boas intenções para agilizar o tratamento de doentes, mas não se pode corrigir um erro com outro.
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) afirma que começou a bloquear os sites externos, em 12 de dezembro, quando o caso foi identificado pela administração. Após a publicação da reportagem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) afirmou ter tomado providências para coibir a prática nos hospitais sob sua responsabilidade.
Essa é uma questão ética que atinge a todos os envolvidos, incluindo a direção dos hospitais. Por isso, governos e administradores desses hospitais têm de ir além das palavras, oferecendo um ambiente seguro para os pacientes e adequado ao trabalho médico.
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