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A queda nas mortes violentas em janeiro no Ceará
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A queda nas mortes violentas em janeiro no Ceará

Será um erro, caso aconteça, o governo transformar os números melhores do mês em fator de comemoração exagerada, meio que dando a entender o problema da segurança pública como resolvido
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A queda nas mortes violentas em janeiro, uma boa notícia e a reflexão

Janeiro de 2026 fechou, sábado passado, com um resultado que parece animador, mesmo que ainda estejamos diante de números assustadores quanto ao nosso quadro de segurança pública diante de uma sociedade que se entende civilizada. Depois de seis anos ininterruptos o Ceará registrou, finalmente, um mês com menos de 200 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), em números exatos, 191. Convenhamos ainda muito longe de algo que podemos dar como aceitável.

O último mês com menos de duas centenas de homicídios no Ceará havia sido outubro de 2019. Há muito tempo, portanto, o que indica que as ações de Estado postas em prática desde então, numa perspectiva mais longa, têm sido insuficientes para trazer o quadro à situação de normalidade que a população merece e precisa.

Há um recorte até mais positivo dos números, pois o resultado do primeiro mês deste ano foi, na verdade, o melhor dos últimos dez anos. Claro que é preciso dar um mergulho nos dados para entendê-los com os detalhes que indicam, por exemplo, no ponto em que se faz uma relação direta entre os melhores desempenhos regionais de queda nas mortes com tais características e uma redução na quantidade de conflitos entre facções. Infelizmente, uma realidade do nosso cotidiano atual.

O quadro, devemos sempre advertir, é insuportável como se apresenta hoje. O ano de 2025 fechou com 3.021 CVLIs em 12 meses, e, mesmo sendo assombroso, o número representa uma queda de 7,7% em relação aos 3.272 do período anterior, aspecto que em si indica o tamanho do desafio colocado para todos nós, quem está no governo, quem é oposição e quem quer solução para o problema sem vínculo com a política e suas disputas infindáveis.

Será um erro, caso aconteça, o governo transformar a performance em fator de comemoração exagerada, meio que dando a entender o problema como resolvido. Diga-se, não há indicação de que isso tenha acontecido nas últimas horas, desde quando os números começaram a ser divulgados, e se espera que assim seja como a leitura adequada a fazer para o longo repto colocado diante das autoridades de reverter um cenário que, insista-se, não pode permanecer do jeito que está.

As autoridades do momento tem lá suas explicações, ressaltam o que tem sido feito para aparelhar a estrutura de segurança pública, destacam os números expressivos nas estatísticas de prisões mais recentes, apontam uma alegada melhoria no combate ao crime organizado, enfim, buscam, de maneira legítima, vincular o animador resultado de janeiro a ações adotadas mais recentemente dentro da política em vigência. Haverá necessidade de acompanhar a evolução (ou involução) do quadro para entender se realmente existem fundamentos estruturantes no que aconteceu ou se foi algo ocasional, ditado pelas circunstâncias de um mês específico. n

 

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