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Câmara dos Vereadores volta ao Centro de Fortaleza
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Câmara dos Vereadores volta ao Centro de Fortaleza

A iniciativa do Legislativo é bem-vinda, porém, insuficiente. É preciso ir além, com planejamento integrado, que considere todos os aspectos urbanísticos, sociais, históricos e de mobilidade da região
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Neste ano, quando Fortaleza completa 300 anos, a Câmara dos Vereadores (CMFor) toma a iniciativa de transferir a sede do poder Legislativo para o Centro da cidade, onde nasceu a capital. Funcionando em várias ruas do Centro até a década de 1970, a CMFor seguiu para o Meirelles, depois para o bairro Luciana Cavalcante, onde funciona atualmente. Será, então, um retorno ao seu local de origem.

É uma iniciativa que pretende contribuir com o que se convencionou chamar de "revitalização" de uma área relevante, economicamente e pela sua história, porém degradada, apesar dos recorrentes discursos pela sua recuperação.

O assunto é muito discutido, porém, na prática, as iniciativas são esparsas e sem conexão entre elas, mesmo reconhecendo a importância de alguns novos equipamentos, como a Estação das Artes. Esse debate está em pauta há décadas, remontando ao século passado, por vezes com mais intensidade, em outros momentos adormecido, voltando à tona quando algum estímulo desperta a polêmica.

Isso leva à pergunta: o que foi feito do Fortaleza 2040, uma proposta de planejamento de longo prazo para a cidade que, por óbvio, incluía o Centro da capital? Lançado em 2016, na administração do ex-prefeito Roberto Cláudio (2013-2020), o plano pouco andou nas gestões subsequentes.

Ao anunciar a mudança, o presidente da CMFor, Leo Couto (PSB), afirmou que a obra será custeada com recursos próprios do legislativo municipal, sem informar em quanto a obra está orçada. O prédio será construído no local onde antes se alojava o antigo Mucuripe Club, nas cercanias do edifício da Receita Estadual.

Segundo Couto, a escolha do Centro "reforça o compromisso da Câmara com a democratização do acesso aos serviços públicos". Segundo ele, pela região transitam diariamente mais de 160 mil pessoas, às quais serão somados mais de mil funcionários da CMFor, além das pessoas que buscam serviços públicos oferecidos pela Câmara, que terão mais facilidade de deslocamento, citando as mais de 100 linhas de ônibus que passam pela região.

Por fim, Leo Couto disse que devolver a Câmara ao Centro da cidade é um "resgate histórico e cultural", além de resolver problemas estruturais que hoje afetam a sede do poder legislativo.

Em resumo, pode-se dizer que a iniciativa da Câmara dos Vereadores é bem-vinda, porém, insuficiente. É preciso ir além, com planejamento integrado, que considere, entre outros objetivos, os aspectos urbanísticos, sociais, histórico e de mobilidade da região.

Caso contrário, continuarão os remendos pontuais, que podem amenizar algumas mazelas, sem resolver a questão principal, que é a recuperação do Centro da cidade como um local para a integração da população fortalezense e um incentivo para o turismo cultural.

Plano Diretor, planejamentos de longo prazo, são inúteis servirem apenas para efeito de propaganda em dias de festa. É necessário haver disposição para torná-los realidade.

 

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