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Ministro é afastado em votação secreta
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Ministro é afastado em votação secreta

Pesquisa realizada nas dez maiores capitais brasileiras, 75% das mulheres responderam que já haviam sido vítimas de assédio sexual
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) agiu corretamente ao afastar, na terça-feira, o ministro da corte, Marco Aurélio Buzzi. A votação foi secreta, com decisão unânime entre os 27 ministros presentes, de um total de 33 integrantes da corte. Buzzi é investigado por suspeita de importunação sexual. O afastamento não significa um pré-julgamento, mas em casos assim o melhor é agir com prudência e sem corporativismo.

A primeira denúncia partiu de uma jovem de 18 anos, cuja família estava hospedada na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú (SC). Segundo ela conta, quando tomava um banho de mar, o ministro a teria agarrado repetidamente, antes que conseguisse desvencilhar-se dele. Acompanhada dos pais, a jovem registrou um boletim de ocorrência em São Paulo.

Após o caso se tornar público, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou ter recebido mais uma denúncia de importunação sexual contra o ministro. É comum em casos assim que, após uma primeira denúncia, outras comecem a surgir. A defesa do magistrado emitiu nota negando que ele tenha cometido "qualquer ato impróprio", reclamando do vazamento de informações em um processo que corre em segredo de Justiça.

Segundo apuração da CNN, o depoimento da suposta segunda vítima do ministro apresenta um caso ainda mais grave do que o acontecido em Santa Catarina. De acordo com a informação do portal de notícias, a denunciante teria apresentado provas que confirmariam seu relato ao CNJ.

Infelizmente, casos de importunação e assédio sexual são lamentavelmente comuns no Brasil, conforme apontam diversas pesquisas sobre o assunto. No entanto, poucos deles têm repercussão, ou nem mesmo são denunciados. É uma violência que mantém as mulheres em constante sobressalto, em qualquer ambiente que frequentem, seja no trabalho, no transporte público, em carros por aplicativo, na rua ou em ambientes de lazer.

Em pesquisa realizada em 2025, nas dez maiores capitais brasileiras, 75% das mulheres responderam que já haviam sido vítimas de assédio sexual. O estudo foi organizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pelo Instituto Inteligência de Pesquisa e Consultoria (Ipec) nas seguintes cidades: Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Goiânia, São Paulo, Salvador, Manaus, Belém, Fortaleza e Belo Horizonte.

Existem diferenças de classificação penal entre assédio e importunação sexual, mas ambos os crimes envolvem constrangimentos contra a mulher, físicos ou verbais. As pesquisas, normalmente, incluem as duas transgressões sob o guarda-chuva de assédio.

Esses dados deveriam envergonhar a sociedade, principalmente os homens, mas a dura realidade mostra que é um problema difícil de ser superado. Um trabalho que, entre outras soluções, precisa começar com a educação dos meninos desde a mais tenra idade.

 

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