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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

Artigo - PT está no centro do maior escândalo de corrupção na pandemia

"A Veja desta semana escancara o esgoto que a CPI, a todo custo, quer esconder", aponta em artigo o jornalista Luciano Cléver
Tipo Opinião
Luciano Cléver é jornalista (Foto: REPRODUÇÃO)
Foto: REPRODUÇÃO Luciano Cléver é jornalista

Não bastou o mensalão, tampouco o petrolão. Mesmo depois de uma penca de petistas responder processo, ser condenado e até encarar a prisão, incluindo a estrela de nove dedos, o PT continua com protagonismo em escândalos de corrupção. O que acontecia no Planalto se estendeu para a planície. Esse novo escândalo, dissecado com detalhes esta semana pela Veja, coloca no centro da roubalheira dois ex-ministros de Dilma Rousseff (Carlos Gabas e Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara) e o governador da Bahia, Rui Costa.

A CPI da Covid já recebeu mais de 280 mil páginas de cópias de inquéritos enviadas pela Polícia Federal, recolhidas de mais de uma centena de operações que investigam desvio de recursos públicos destinados ao combate do coronavírus. O mais rumoroso deles, cujos envolvidos são todos do PT, é o da compra de 300 respiradores fantasmas, com pagamento antecipado de mais de R$ 48 milhões. Mas só interessa à CPI algo que tenha potencial de incriminar Bolsonaro.

Além do desvio do dinheiro e da não entrega dos aparelhos que poderiam salvar milhares de vidas, o escândalo chama a atenção por diversos detalhes escabrosos. O mais estranho deles é a empresa que recebeu a grana, a Hempcare Pharma, especializada em comercializar medicamentos a base de maconha. Os respiradores viriam da China, por uma empresa da área de construção. Não era para dar certo.

Segundo a Veja, foi a dona da Hempcare, Cristiana Prestes Taddeo, quem entregou os dois ex-ministros de Dilma. Na versão dela, Carlos Gabas, que era secretário executivo do Consórcio Nordeste, então sob a presidência do governador da Bahia, Rui Costa, teria ligado pra ela se dizendo irmão de alma do prefeito de Araraquara e propôs a negociação. Ela disse que partiu de Edinho o pedido de R$ 1,5 milhão de propina a ser paga com dinheiro do consórcio.

Para comparação entre os valores, o governo federal pagou preço unitário de R$ 60 mil. Já os comprados pelo Consórcio Nordeste chegaram a R$ 160 mil. Mesmo com superfaturamento, os equipamentos jamais chegaram aos hospitais para salvar os nordestinos.

Nem nos tempos áureos da grande roubalheira, chegou-se a tal desplante. Delações deram conta de que nos grandes contratos da Petrobrás, desviavam-se 3% para os partidos. Agora, chega a 100%. Isto é, o dinheiro é pago, e o serviço não é realizado ou produto da compra não é entregue. E a prática se disseminou como o vírus. chegando à prefeitura de Fortaleza, na gestão de Roberto Cláudio. Aqui, o superfaturamento foi às alturas. Enquanto a União comprou por R$ 60 mil, e o Consórcio por R$ 160 mil, Roberto Cláudio comprou por R$ 274 mil.

O mais doído não é nem o valor, pois a vida não tem preço. No entanto, a ação criminosa não teve repercussão apenas nos cofres públicos. Nesse caso, é legítimo falar em genocídio, pois milhares de pessoas morreram por falta do equipamento, vital para vencer as graves consequências da doença.

Diante de tanto descalabro, a CPI da Covid se faz de morta. Nega-se com afinco a investigar qualquer desses desvios, focando apenas nas ações do governo federal. Nos casos em que houve desembolso vultoso, sem a contrapartida dos equipamentos, total leniência dos membros da CPI, mas ficam a propalar que houve corrupção em contratos federais, sem ter havido desembolso de qualquer quantia.

O senador Eduardo Girão bem que tentou. Foi dele a autoria do requerimento que ampliou o foco da CPI para esses crimes cometidos por gestores estaduais e municipais. Nas compras federais, nenhum indício de desvio. Nas demais, com recursos enviados pela União, sobram as denúncias e a materialização de crimes. Girão ainda apresentou requerimento para que Gabas fosse chamado a depor. Mas o G7 da CPI, Tasso Jereissati entre eles, blindou o ex-ministro do PT e engavetou o requerimento.

Com esse tipo de atitude, fica cada vez mais claro o objetivo da CPI. Nestes três primeiros meses, só serviu para o desfile de vaidades e de grosserias contra depoentes, principalmente, mulheres.

A Veja desta semana escancara o esgoto que a CPI, a todo custo, quer esconder.

Luciano Cléver é jornalista

Acompanhe o 7º episódio do Jogo Político, com o deputado federal Kim Kataguiri (DEM): 

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