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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

Artigo - CPI da Covid racha e não sabe o que fazer com o relatório

"O mais incomodado com a postura do relator foi o anfitrião dos convescotes e presidente da CPI, Omar Aziz. Ao distribuir com a imprensa o relatório, Renan, além de tentar fazer valer sua vontade, tratou de expor os demais", aponta em artigo o jornalista Luciano Cléver
Tipo Opinião
Luciano Cléver é jornalista (Foto: ARQUIVO)
Foto: ARQUIVO Luciano Cléver é jornalista

O excesso de vaidade e o forte desejo de vingança fizeram com que Renan Calheiros produzisse um relatório que nem os próprios aliados que formam a cúpula da CPI da Covid avalizassem tal despropósito. Gerou mal-estar entre os frequentadores do apartamento de Omar Aziz, presidente da CPI.

Ao contrário do que foi acertado na CPI paralela, formada pelo G7, Calheiros driblou os camaradas e fez vazar para a imprensa o seu relatório. E se disse surpreso com o vazamento. Na verdade, ele enquadrou os demais membros num momento crucial da CPI. Se não for votado como o que foi divulgado, será obra de outros e não do valentão das Alagoas.

O mais incomodado com a postura do relator foi o anfitrião dos convescotes e presidente da CPI, Omar Aziz. Ao distribuir com a imprensa o relatório, Renan, além de tentar fazer valer sua vontade, tratou de expor os demais. Deixou claro qual seu relatório, qualquer mudança será creditada aos demais. Colocou-os num curral.

Uma das divergências é o que há de mais aloprado no relatório, o indiciamento do presidente Bolsonaro como autor de genocídio contra indígenas. Tamanho absurdo foi rechaçado até por seus pares. Outro exemplo é indiciar os filhos do presidente sem que eles tenham sequer prestado depoimento na comissão.

À falta de forte indício de irregularidade, o relator apostou no volume. Como quem reduz o preço para ganhar no aumento das vendas. Ao todo 11 crimes imputados a Bolsonaro – entre eles, curandeirismo e charlatanismo. Outras 70 pessoas no rol dos indiciados. Chamado de canalha pelos Bolsonaro (Jair e Flávio), usa o relatório como arma de vingança pessoal.

Já com o relatório pronto, a CPI circense introduziu mais elementos novelescos, levando para ribalta a emoção dos familiares de vítimas da covid com protestos lamurientos. Se verdadeiras as lágrimas dos depoentes, os senadores pareciam carpideiras, pagas para prantear. O importante era demonstrar emoção, empatia pelas vítimas.

Com o alvoroço no ninho da oposição, a votação do relatório foi adiada para a próxima semana. Com o fim próximo, e já com sintomas de abstinência dos holofotes, o saltitante Randolph Rodrigues está a inventar um calendário do dia seguinte, o pós-CPI. O importante é manter a narrativa e as luzes da ribalta. O país que lute pra dar certo.

Luciano Cléver é jornalista e editor do Portal Paraíso

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