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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

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Artigo - Desprezo à vida e compulsão pela morte

"Esta característica de Bolsonaro já foi bem demostrada em suas inúmeras declarações racistas, machistas e homofóbicas", aponta em artigo a deputada federal Luizianne Lins Por
LUIZIANNE Lins recebeu aval do PT para ser a pré-candidata do partido
LUIZIANNE Lins recebeu aval do PT para ser a pré-candidata do partido

Desprezo à vida. Esta característica de Bolsonaro já foi bem demostrada em suas inúmeras declarações racistas, machistas e homofóbicas. Em seus seguidos elogios a torturadores, como o Coronel Ustra. E em suas relações intimas com milicianos, inclusive aqueles acusados de envolvimento no assassinato de Marielle Franco.

Não é surpresa que o mesmo desprezo à vida e a compulsão pela morte também esteja presente no cálculo cruelmente oportunista de não socorrer devidamente quem está agora perdendo bruscamente sua renda, apenas para depois jogar a culpa pelo sofrimento dessas pessoas em quem defendeu a quarentena e o isolamento social como método fundamental de combate à pandemia do coronavírus.

Sim, os passeios do presidente pelo comércio de Brasília, suas selfies, seus abraços e apertos de mãos são friamente calculados. Um cálculo perverso de quem sabe que sua política econômica antes da pandemia já trazia aumento da desigualdade e de que a crise se aprofundará ainda mais no futuro próximo. Um cálculo de quem aposta no aumento do sofrimento e da angústia de quem está ficando sem renda ou de quem vê seu negócio ameaçado. Tudo para depois dizer que não teve nada a ver com isso e que os prejudicados “devem cobrar prefeitos e governadores", como já disse mais de uma vez.

É possível dizer que o povo brasileiro tem hoje dois adversários a vencer: o Governo Bolsonaro e o vírus.
Bolsonaro sabota abertamente as iniciativas sanitárias de combate à pandemia. Suas ações e declarações são contrárias às recomendações de toda a comunidade científica mundial. A partir dele seus apoiadores são estimulados a quebrar a quarentena e negligenciar os cuidados com a própria saúde e a dos outros.

Ao mesmo tempo, as medidas econômicas tomadas até agora pelo governo são lentas ou incapazes de proteger o emprego e a renda das pessoas. O governo está, por exemplo, prometendo empréstimos para ajudar empresas a pagar os salários dos seus funcionários, enquanto que em outros países são os próprios governos que estão assumindo essas folhas de pagamento. É assim que Alemanha, Noruega, Portugal, Inglaterra, Espanha, Itália, entre outros, estão fazendo. Fazem isso por uma questão muito simples: pouquíssimos empresários vão querer se endividar agora, quando todo mundo está prevendo uma recessão mundial profunda pelo menos até o final do ano e início do próximo. Ninguém vai se endividar sem saber se depois vai poder pagar. Daí o que virá serão demissões.

A outra alternativa apresentada pelo governo é de que a empresa reduza ou suspenda totalmente os salários dos funcionários. Nessa hipótese, restará ao trabalhador ficar vivendo apenas com uma parcela do valor do seguro desemprego a que teria direito. Nessa proposta muita gente vai ter redução de mais da metade dos salários. Vai ser isso ou a demissão.

Não passa pela cabeça do governo tributar os ricos. Não há intenção de se proibir demissões (como fez a Argentina) ou de se aumentar o número de parcelas do seguro desemprego. Não há plano para isolamento de pessoas infectadas que hoje moram em casas com dois ou três cômodos juntamente com outras 10 pessoas.
Além de tudo isso, filhos e ministros do presidente insistem em atacar o principal fornecedor mundial de equipamentos médicos hospitalares, a China, em declarações delirantes de xenofobia e preconceito.
Definitivamente, mais do que nunca, dar um fim a este governo virou uma questão de vida ou morte.

O povo brasileiro tem direito a um governo que defenda a vida de todas e todos em todos os seus aspectos. Um governo que defenda a democracia, a transparência e a participação popular. Um governo que respeite a ciência.

Um governo que exija de cada um, segundo suas possibilidades, e distribua a cada um, segundo suas necessidades.

Fora Bolsonaro!!

Luizianne Lins é jornalista e deputada federal pelo PT do Ceará

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