Eliziane Alencar é publicitária e diretora da Advance Comunicação
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O documentário de um dos crimes mais chocantes do país pode ser esclarecedor sobre como se desumaniza uma pessoa. Elize Matsunaga foi condenada por assassinar o marido e esquartejar seu corpo friamente, descartando os pedaços em sacos jogados em um matagal. No documentário, depoimentos dos investigadores relatam que um dos enigmas do crime era como o corpo da vítima havia sido cuidadosamente fatiado, com cortes precisos que evitaram o sangue se esvair.
Elize e o marido tinham o hobby de caçar animais. No próprio documentário, ela explicou com riqueza de detalhes como gostava de assassinar animais a tiros em caçadas com o marido e depois tirar-lhes o couro, esquartejá-los e comê-los. Ela enfatizou o cuidado ao cortar-lhes a cabeça para depois empalhar e pendurá-la na parede de casa como um troféu. O casal colecionava armas e fazia fotos ao lado do corpo de animais assassinados. O caso Elize comprova a Teoria do Link: pessoas capazes de praticar crueldade contra animais são potenciais praticantes de crimes contra pessoas. Esquartejar o marido para esconder provas do crime foi apenas a ponta do iceberg. Para ela, esquartejar corpos era algo banal, sem compaixão, sem culpa.
A normalização dos pedaços de animais esquartejados expostos para venda em freezers é uma forma de desumanizar a sociedade. Ao acordar a consciência de que ali são corpos de vítimas inocentes, que sentiam dor, tinham sentimentos, alma, desejos, amizades e que foram escravizadas, torturadas e sofreram na sua morte, podemos perceber que isso não é justo, nem humano. Exercitar a re-humanização da sociedade a partir da compaixão aos animais é um caminho para a paz.
Com narração do ator Joaquin Phoenix, o documentário Dominion mostra o que acontece com os animais explorados para fins comerciais. Imagens de drones e câmeras escondidas, captadas em fazendas e outras atividades nas quais os animais são explorados e abusados por seres humanos, o longa expõe o lado sombrio da agropecuária moderna e da indústria de vestuário, entretenimento e pesquisa, promovendo uma reflexão sobre a moralidade do domínio da humanidade sobre o reino animal.
17 de janeiro é o Dia do Protetor Animal. Milhares de brasileiros dedicam-se, de forma independente, a salvar, acolher e defender os direitos dos animais. No Ceará já temos abrigos de jumentos e santuários para acolher animais em situação de fazenda e silvestres. Uma missão nobre que abre portas para a proteção de animais de todas as espécies. Segundo pesquisa Datafolha, 88% dos brasileiros se importam com o sofrimento dos animais em fazendas. Parar de consumir produtos de origem animal é a maior forma de proteção. Além de ser um ato humanitário e civilizatório.
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