Professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece)
Professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece)
A instrumentalização do campo evangélico pelo bolsonarismo encontra algumas vozes dissidentes, que se expressam tanto no mercado editorial (vide as obras “E a verdade vos libertará”, de Ricardo Alexandre, e “Igreja Polarizada”, de Gutierres Siqueira) como nos púlpitos das igrejas e dos parlamentos.
Nestes, destacam-se o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) e o nosso estadual Apóstolo Luiz Henrique (REP).
Otoni tem sido a voz evangélica nacional mais estridente contra a captura das igrejas pelos próceres do bolsonarismo, incluindo, em suas críticas, Silas Malafaia.
Na sua empreitada para desvencilhar a fé cristã (evangélica) das amarras do bolsonarismo, o deputado chegou a um ponto muito interessante no último dia 29/01, em vídeo postado em suas redes, ao lembrar que a “manipulação” e “o engano” de pastores teriam sido “tão grandes” que os levou a fechar os olhos ao ato de “consagração do Brasil a Nossa Senhora” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em vez de terem denunciado “o pecado da idolatria” cometido pelo “Messias”.
O leitor não entendeu? Explico: o deputado lembrou a seus irmãos de fé aquilo que se diz, diuturnamente, em muitos templos evangélicos desde a reforma protestante, ou seja, que católicos praticam “idolatria” ao “adorarem imagens” de Jesus, Maria, dos santos e dos anjos; tal “pecado”, como se dizem nas pregações evangélicas, não leva à salvação. Como, pois, denunciar o que faz um fiel católico e se calar diante de idolatria maior cometida pelo presidente que os evangélicos apontam como “cristão”?
Quem circula por ambientes católicos também escuta a exclusão de evangélicos do “reino” de Cristo, para onde alguns poucos irão. Carismáticos nomeiam como “falsas doutrinas” toda e qualquer denominação que não seja a própria Igreja, pois só esta tem “as chaves do céu”; o mesmo pode se ouvir nas pregações dos “tradicionalistas”, ambos animados pelo conteúdo da Declaração Dominus Iesus, assinada no ano 2000 por João Paulo II – “fora da Igreja Católica não há salvação”.
Mas, no Brasil vemos o milagre da união dos tidos como “idolatras”, por uns, com os tidos seguidores das “falsas doutrinas”, por outros, que põem fim às diferenças em nome da causa do “Messias”.
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