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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

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Bolsonaro manteve contato e acompanhava passos de Queiroz

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Com saída de Weintraub da Educação, em dois meses caíram os ministros das três áreas que mais afetam a população
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O esperado após a prisão de alguém próximo seria que o presidente da República tentasse se distanciar da pessoa. Jair Bolsonaro não fez isso em relação a Fabrício Queiroz. Em transmissão ao vivo, na noite de ontem, começou dizendo: "Deixo bem claro, não sou advogado do Queiroz e não estou envolvido nesse processo." Na sequência, porém, partiu para a defesa do detento. "O Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandato de prisão contra ele."

A seguir, o presidente reclamou da forma como se deu a prisão - "espetaculosa" - e ironizou: "Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da Terra." Bolsonaro disse que a Justiça deve seguir seu rumo e deve ser cumprida. É protocolar, mas está certo.

Mas, o que mais me chamou atenção da fala do presidente foi a demonstração de que seguiu acompanhando os passos do ex-assessor do filho. Deu a entender que já sabia onde Queiroz estava. Pelo menos, sabia o motivo de ele estar lá. "Por que estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do hospital onde faz tratamento de câncer". Sobre para onde tinha sido levado após a prisão, o presidente comentou: "Já deve estar no Rio de Janeiro."

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, em maio do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro, adotou caminho diferente. "Talvez tenha sido meu erro confiar demais nele", dizia o filho Zero Um. Afirmou ainda que não sabia onde Queiroz estava, não tinha informação da família. "Não sei de nada", disse. Bolsonaro mostrou ontem saber de várias coisas.

Mulher foragida

Bolsonaro disse que Queiroz não estava foragido. Mas, a mulher do ex-assessor agora está. Márcia Oliveira de Aguiar não foi encontrada ontem e passou a ser considerada foragida. Queiroz disse que nem ele sabe onde está ela. Casamento moderno.

O portal Congresso em Foco informa que ela está recebendo o auxílio emergencial. O cadastro foi aprovado pela Caixa Econômica Federal e a primeira parcela já foi depositada.

Bastava chamar?

Outra coisa que Bolsonaro disse sobre Queiroz é uma graça: "Tranquilamente, se tivessem pedido ao advogado, creio eu, acredito, o comparecimento dele a qualquer local, ele teria comparecido." Ele não compareceu a nenhum dos depoimentos para os quais foi convocado.

Complicador

O advogado Frederick Wassef, que trabalha para a família Bolsonaro, hospedou Queiroz em sua casa por um ano. Um ano. Wassef é personagem curioso nessa trama. Frequentador assíduo dos círculos presidenciais, apresenta-se como íntimo do núcleo familiar governante. "Eu estou no dia a dia aqui com o presidente e com a família Bolsonaro. Eu conheço tudo que tramita na família Bolsonaro", afirmou em 28 de abril à Rádio Gaúcha. Em setembro do ano passado, à Globonews, afirmou desconhecer onde estava Queiroz. "Não sei, não sou advogado dele". Pois não é que estava na casa dele.

Demissões mostram três problemas urgentes do governo: saúde, segurança e educação

Nos últimos dois meses, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando de três ministérios: Educação, Saúde e Justiça e Segurança Pública. Essas três áreas são o coração de um governo. É onde costumam estar alguns dos maiores orçamentos. As ações que mais chegam à população, que mais diretamente afetam a ponta. São a razão de existir do Estado. As substituições são reconhecimento do próprio presidente de que o coração de seu governo vai mal.

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