Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

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Opinião

Novo partido do bolsonarismo já foi o do lulismo

O deputado federal André Fernandes anunciou a filiação ao Republicanos. É o mesmo partido de Flávio Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro. Como o presidente Jair Bolsonaro está sem partido, o Republicanos vai se convertendo na principal legenda do bolsonarismo. No Ceará, Fernandes é hoje o político que mais se vincula a Bolsonaro.

A trajetória do Republicanos é interessante. Trata-se do partido controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus. É o mais organizado braço institucional a ter atuação política no Brasil. Tem também extraordinário senso de oportunidade. O partido hoje do bolsonarismo foi também o do lulismo.

Quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito pela primeira vez, sua principal aliança foi com o Partido Liberal (PL). Era a sigla que, na época, abrigava o grupo da Igreja Universal. E a sigla de José Alencar, vice de Lula. O PL mais tarde virou PR, mas já voltou a ser PL de novo. E parte dos membros, notadamente o núcleo da Universal, fundou uma nova legenda, o PRB.

Foi por esse partido de Alencar se reelegeu vice de Lula em 2006. Apoiou o governo Dilma Rousseff até dois meses antes do impeachment. Tinha George Hilton no Ministério do Esporte até março de 2016.

Desde o ano passado, o PRB passou a se chamar Republicanos. Com o histórico de ex-aliado petista, tornou-se o partido preferido da família Bolsonaro.

O movimento de André Fernandes

A decisão de Fernandes de se filiar a essa altura é curiosa. Não está mais dentro do prazo para ser candidato. Portanto, não tem relação com as próximas eleições. Fernandes estava na articulação para criar o Aliança pelo Brasil, o partido de Bolsonaro.

A decisão de se filiar a uma legenda agora seria, então, sinal de que o Aliança não sairá tão cedo? Coisa talvez nem para 2022? Uma vez que 2020 está fora do horizonte de André, por questão de prazos.

O motivo pode ser outro: há movimento no PSL, partido pelo qual Fernandes se elegeu deputado estadual, para pedir o mandato na Justiça, por infidelidade partidária. A filiação pode ser um movimento conjuntural, jurídico ou político, para enfrentar a ameaça ao mandato.

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Republicanos com o Capitão

Desde fevereiro, o Republicanos anunciou apoio ao Capitão Wagner (Pros) para prefeito de Fortaleza. As principais forças ligadas ao bolsonarismo na Capitão estão com ele.

Área devastada por queimada na Amazônia, em agosto de 2019
Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
Área devastada por queimada na Amazônia, em agosto de 2019

Bolsonaro e a Amazônia que
não é desmatada nem pega fogo

De Bolsonaro, Jair, presidente da República: "O fato de que maior parte da floresta amazônica permanece intacta é a comprovação de que nossos estados são perfeitamente capazes de cuidar desse patrimônio com atenção aos aspectos ambientais, sociais e econômicos". Ele convidou representantes diplomáticos de outros países a sobrevoarem de Manaus a Boa Vista. "Eles não acharão nenhum foco de incêndio, nem um quarto de hectare desmatado. Que essa floresta é preservada por si só. Até mesmo pela sua pujança, bem como por ser floresta úmida, como em grande parte dos senhores, não pega fogo".

No primeiro semestre deste ano, foi registrado o desmatamento de 3.069 quilômetros quadrados da Amazônia, segundo o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O aumento é de 25% em relação ao ano passado.

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