Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

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Análise

Não vai ter festas

 Elevador de obra despencou e matou dois operários no Tabapuá, em Caucaia
 Elevador de obra despencou e matou dois operários no Tabapuá, em Caucaia

Será um fim de ano diferente, como não poderia deixar de ser em um ano tão diferente. O governador Camilo Santana (PT) anunciou decreto no qual proíbe festas, eventos sociais e corporativos no Natal e no Réveillon. A gente festa do aterro já se sabia que não poderia haver. Mas, também estão proibidas as festas privadas, os clubes e restaurantes que já vendiam mesas. As confraternizações de fim de ano também estão proibidas. Não poderá haver grandes amigos secretos. Ainda não há clareza sobre as regras. Mas, é de se pressupor que não será possível fazer grandes ceias para reunir a família. Será uma quebra e tanto das tradições. Triste, mas necessário. Muita gente já voltou à rotina de normalidade. Sem se aperceber de que os números da Covid-19 voltaram a aumentar tremendamente, as mortes aumentaram. As coisas não estão normais. Grandes festas não apenas não são adequadas como não são viáveis. O decreto tem o primeiro bom efeito do choque. O impacto do alerta de que as coisas estão a perigo.

A dúvida

Uma grande interrogação é sobre como fiscalizar a cumprimento disso. Como o governo vai saber se o seu Joaquim da esquina recebeu na ceia os 19 primos, com maridos, mulheres e filhos? Como fiscalizar isso? Eu respondo: não será possível fazer isso. Mais que isso: não acho que o sentido do decreto seja que o poder público fique pastorando o que cada um está a fazer. Não é como se o interesse fosse do governador ou do governo. Para vigiar cada casa e cada família do Ceará, não tem aparato público que chegue.

O fundamental, entendo eu, é que as medidas restritivas são orientadas pelo comitê de saúde do Estado. O primeiro interesse na prevenção é das próprias famílias. Obviamente que vai ter gente que vai descumprir. Até pela disputa política em que o combate à pandemia foi transformado no País. Porém, se não ficar claro que é a saúde de cada um que está em jogo, as coisas não vão funcionar. Não adianta esperar que o governador fique tutelando cada um. É nisso que o Brasil tem fracassado desde o início da pandemia: é preciso cooperação para que o controle da Covid-19 dê certo. Mesmo os simpatizantes de Jair Bolsonaro haverão de convir de esse não é o forte do presidente. Não é a praia dele — não sei se a história militar, a beligerância, tem algo a ver com isso — promover a colaboração.

Eventos políticos

Com festas, eventos sociais e corporativos proibidos, fica a interrogação sobre importantes solenidades políticas previstas para os próximos dias. Na sexta-feira, que vem, a diplomação dos eleitos em Fortaleza. Em 1º de janeiro, as posses nos 184 municípios. Com eleições nas câmaras municipais. Esse é um momento ainda mais complicado, onde é quase impossível controlar o fluxo de puxas-sacos. Nesta semana, na eleição da presidência da Assembleia Legislativa já se teve uma mostra do quanto padrões sanitários foram para a lixeira. Essa turma precisa dar o exemplo. O que não foi feito na campanha.

 

 Elevador de obra despencou e matou dois operários no Tabapuá, em Caucaia
Foto: Fabio Lima/O POVO
 Elevador de obra despencou e matou dois operários no Tabapuá, em Caucaia

Acidentes de trabalho

Dois episódios ocorridos em menos de 48 horas vitimaram trabalhadores a uma distância de poucos quilômetros. Na tarde de quarta-feira, dois trabalhadores ficaram soterrados em obra de encanamento de um centro de compras no bairro Jóquei Clube. Ontem de manhã, a situação foi mais grave e duas pessoas morreram no desabamento de um elevador na obra de um condomínio no bairro Tabapuá, em Caucaia.

São dois episódios de maior gravidade e repercussão, entre os muitos acidentes de trabalho que ocorrem todos os dias, com maior risco na construção pesada. Tais ocorrências em tão curto espaço de tempo chama atenção para a necessidade de redobrar cuidados e a fiscalização sobre as condições em que tais trabalhos são feitos e às quais operários estão submetidos.

 

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