Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

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Opinião

O papel de Élcio

Élcio é personagem-chave para decifrar a gestão Sarto
Élcio é personagem-chave para decifrar a gestão Sarto

O prefeito eleito José Sarto (PDT) deu indicativos algo enigmáticos, ontem, em entrevista coletiva, sobre o papel que o vice-prefeito eleito Élcio Batista (PSB) terá na gestão: "Certamente vai ajudar em todas as áreas, mas nós vamos setorizar. Estamos conversando para ver qual é a área que ele pode potencia... Ele tem um potencial e um talento, conversa com a economia criativa da cidade, que aqui é muito importante. Foi um dos que elaboraram o plano Fortaleza 2040, já na primeira gestão do Roberto Cláudio. E ele tem conhecimento de todo esse caminho de planejamento percorrido. O Élcio vai contribuir em todas as áreas."

Sarto dá indicativos e depois despista. Élcio é personagem-chave por alguns motivos. Ele foi secretário de Roberto Cláudio (PDT) e foi peça central no governo Camilo Santana (PT), como chefe de gabinete e depois secretário da Casa Civil. Mas sua origem e história são bem distintos das de Sarto. Ele não vem do núcleo Ferreira Gomes. Talvez seja das personagens mais relevantes do governismo cearense de fora do clã.

Como ele mesmo falou na campanha, representa Camilo dentro da chapa que administrará Fortaleza. Pelo papel que adquiriu no Estado, Élcio tem relevância na articulação política. Mas, antes e mais que na política, ele tem história de articulação com segmentos sociais e culturais. A fala de Sarto sobre economia criativa indica que espera de Élcio a interlocução com esses campos, com os quais pouca gente do atual governismo tem trânsito.

O que mais me chama atenção é Sarto falar de setorizar a atuação. No fim, ele volta a falar do papel de Élcio em todas as áreas. O discurso caminhava na direção de uma atuação temática para Élcio. Ao final, minha impressão é que o prefeito eleito resolveu que seria melhor não adiantar demais. Mas há pistas de que Élcio deve ganhar atribuições específicas na Prefeitura, seja como secretário ou não.

Moroni, o pacificador

Ao falar sobre vice, inevitável falar de Moroni Torgan (DEM). Desde a redemocratização, é o primeiro vice que termina quatro anos de mandato sem romper com o prefeito. Com um aspecto relevante: Moroni é o mais forte politicamente de todos eles. Era o único que já tinha disputado eleição majoritária de forma competitiva, inclusive chegando ao 2º turno e com possibilidade real de ser eleito. Américo Barreira, vice de Maria Luiza, tinha concorrido a governador antes, em 1982, mas com desempenho bem fraco. Depois, Juraci Magalhães herdou a Prefeitura de Ciro Gomes com pouco mais de um ano e eles romperam. Marcelo Teixeira não chegou a romper com Antonio Cambraia, mas deixou a função na metade do mandato para assumir como deputado federal. Marlon Cambraia e Isabel Lopes romperam com Juraci, Carlos Veneranda e Tin Gomes com Luizianne Lins (PT). E Gaudêncio Lucena também rompeu com Roberto Cláudio no primeiro mandato. Não deixa de surpreender, pelo temperamento sempre enérgico e pelo perfil político, que tenha sido Moroni a trazer paz entre o Palácio do Bispo e a Vice-Prefeitura.

Pobre Rio

O Rio de Janeiro era para estar desfrutando o que deveria ser um período de bonança após, no intervalo de dois anos, sediar final de Copa do Mundo e Olimpíadas. Só duas cidades tiveram essa possibilidade: Cidade do México em 1968/1970 e Munique em 1972/1974. Numa época em que os eventos não tinham nem de longe a dimensão de hoje. O Rio, pelo contrário, está quebrado, vilipendiado por uma sucessão de governantes que saem da administração para a prisão, por vezes sem escalas.

Marcelo Crivella (Republicanos) termina o mandato muito ruim de forma melancólica, depois da derrota contundente que teve no projeto de reeleição.

 

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