Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo
política
Opinião

Bolsonaro e o relatório que o TCU diz não existir

Se fosse verdade a afirmação de Bolsonaro, seria extremamente grave. Tipo de coisa que um presidente d República jamais pode declarar sem estar muito bem amparado
Bolsonaro lança palavras ao vento e sem fundamentação
Bolsonaro lança palavras ao vento e sem fundamentação

O presidente Jair Bolsonaro fez declaração de extrema gravidade ontem. Afirmou que, segundo relatório Tribunal de Contas da União (TCU), em torno da metade das mortes atribuídas à Covid-19 não foram por Covid-19. Seria um escândalo, mas o TCU disse que não tem relatório que aponte nada disso. Aliás, eu não sabia nem que o TCU auditava causa mortis.

Se fosse verdade, seria desmoralizante para o país que Bolsonaro governa. Porque ninguém imagine que tal manipulação, em 27 unidades da federação, passando por mais de cinco mil municípios, poderia ser feita sem colaboração de enorme número de pessoas e sem participação dos profissionais de saúde. Bolsonaro jamais teria o direito de, na posição que ocupa, dizer algo assim sem estar muito bem fundamentado. Sem ter bases muito sólidas. Não é algo que possa cair na vala do talvez. Precisava trazer o relatório, colocar em suas redes, apresentar a numeração. O mandato que Bolsonaro recebeu não lhe dá o direito de ser irresponsável. A fábula que disse de manhã não se sustentou até de tarde.

Não é a primeira vez. Ano passado, ele afirmou, sem ninguém perguntar, que a eleição dele próprio foi fraudada. Disse que mostraria provas. Meses depois, apareceu com uma tese estapafúrdia e sem pé nem cabeça. Bolsonaro fala do jeito que governa: sem fundamentos ou embasamento.

A autoestima do bolsonarismo é qualquer coisa. A pandemia atinge o mundo, mas acreditam que os efeitos no Brasil são resultado de uma conspiração contra o bonitão.

Depois que o TCU negou a existência do relatório que Bolsonaro divulgou, muita gente nas redes sociais foi inquirir o tribunal e saber se ele tinha certeza. Sim, gente que sabe mais dos relatórios do TCU do que o próprio. Dos mesmos criadores de: "Ensinando a Nasa a ler imagens de satélite", "Ensinando aos alemães e ao Museu do Holocausto sobre Nazismo" e "O papa é cristofóbico."

A folha corrida da cúpula do futebol

Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF por assédio sexual e moral contra funcionária, provado com gravações. Curioso, o presidente da CBF caiu antes das três últimas Copas do Mundo — claro, Caboclo foi afastado temporariamente e pode voltar, o que seria um acinte.

Antes da Copa de 2014, o todo-poderoso do futebol brasileiro era Ricardo Teixeira. Alvo de muitas denúncias de corrupção, afastou-se alegando problemas de saúde. Acabou banido pela Fifa. Antes da Copa de 2018, Marco Polo Del Nero foi afastado pela Fifa do comando do futebol brasileiro. Em função de denúncias de irregularidades, foi banido do futebol para sempre pela Fifa.

Entre um e outro, a CBF foi ainda comandada por José Maria Marin, que, antes de ocupar o cargo, foi flagrado em vídeo colocando no bolso uma medalha que deveria ser entregue a um atleta no pódio. Por denúncias muito mais sérias, foi preso na Suíça em 2015, extraditado para os Estados Unidos e solto no ano passado por causa da pandemia.

Esta é a entidade que organiza a Copa América prevista para começar no fim de semana.
O irônico de tudo é que as camisas da CBF tenham se tornado símbolo em protestos contra a corrupção.

Os cem anos de Pazuello

O Exército decidiu na semana passada não punir o general Eduardo Pazuello. Entendeu que a manifestação na qual subiu num palanque para discursar ao lado de Bolsonaro não foi política. E estabeleceu sigilo de cem anos sobre o processo. Por que é mesmo esse segredo todo? Por que as pessoas não podem saber de uma decisão tão banal?

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