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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Bolsonaro ganha novos eleitores?

Bolsonaro perdeu muitos aliados, ao mesmo tempo em que cultiva eleitores fiéis. Mas, ele é capaz de atrair gente nova para seu lado? No governo, Bolsonaro convenceu gente que não votou nele em 2018? Se ficar só com o velho eleitorado e sofrendo dissidências, ele não se sustenta
Tipo Opinião
Bolsonaro com criança fardada e com réplica de fuzil (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Foto: Reprodução/Redes Sociais Bolsonaro com criança fardada e com réplica de fuzil

Pesquisa divulgada nesta semana pelo Datafolha trouxe um dado interessante: 26% dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018 dizem que não votariam nele de novo em 2022. Há muitas questões relacionadas a esse dado.

Desde que tomou posse, Bolsonaro comprou brigas, enfrentou rupturas e perdeu aliados. De ex-integrantes do governo, romperam com ele o hoje falecido Gustavo Bebianno, que esteve na linha de frente da campanha; Sergio Moro, ex-superministro que foi um dos símbolos do início do governo; Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde; general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo.

Entre os governadores, brigaram feio com o presidente o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Como 2018 parece distante. Sim, Doria e Witzel eram bolsonaristas. Não teriam sido eleitos sem Bolsonaro.

O deputado federal (hoje no PSDB-SP) e a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) são outros dissidentes. Hasselmann chegou a ser líder de Bolsonaro no Congresso. A lista também inclui o senador Major Olímpio (PSL-SP), falecido este ano e o empresário Paulo Marinho.

São algumas expressões públicas, mas, principalmente, muita gente que votou em Bolsonaro deixou de apoiá-lo. Por outro lado, há uma base bolsonarista cada vez mais coesa, barulhenta e radical. Ninguém tem o poder de mobilização de Bolsonaro. Só tem um problema: quantos dos apoiadores de Bolsonaro são novos eleitores? Quantos não votaram em Bolsonaro em 2018 e agora aderiram a ele?

O presidente vem há dois anos e nove meses, mais de mil dias, comprando desgastes e perdendo apoios. Se não conseguir novas adesões, Bolsonaro não terá chances de reeleição. Porém, agregar nunca foi o forte dele.

O peso das dissidências

Segundo o Datafolha, são 26% de eleitores que estavam com o presidente no segundo turno de 2018 e agora não votam mais nele. Uma perda significativa, mas não está fora do desgaste natural do poder. Pelo estilo homem-bomba de Bolsonaro, eu supunha uma perda maior. O problema maior dele não é necessariamente quem ele perde, mas a falta de adesões. O poder é um afrodisíaco potente. Quem o conquista costuma ser capaz de usá-lo para conquistar novas bases. Pode ser que isso ocorra com Bolsonaro. Talvez efeito do auxílio emergencial. Porém, o que se vê nas ruas e nas redes sociais são, ao lado de Bolsonaro, os eleitores de sempre.

Oposição deve abrir o olho

Os opositores de Bolsonaro, sobretudo petistas, costumam cobrar os ex-apoiadores do presidente. Duvidam dos novos críticos por antes não terem visto o que é o presidente. Uma das ironias preferidas é sobre o editorial do Estado de S.Paulo: uma escolha muito difícil. Ocorre o seguinte: essas pessoas não entenderam algo que Lula demonstra saber. Para derrotar Bolsonaro, ele precisa atrair esses eleitores. O fato de hoje estarem afastados do presidente não significa que estejam mais perto de votar em Lula do que em voltar para o lado de Bolsonaro. A mesma pesquisa Datafolha mostra que 66% dos que votaram em Bolsonaro no 2º turno seguem sem votar em Lula de jeito nenhum.

Descanso

A partir de segunda-feira saio de férias, na esperança de escrever sobre um Brasil mais tranquilo ao voltar.

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