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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

Um presidente que não sofre não governa

Tipo Opinião
Jair Bolsonaro em carreata na cidade de Russas, sem máscara 
 (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Jair Bolsonaro em carreata na cidade de Russas, sem máscara

O presidente Bolsonaro caminha para concluir o terceiro ano de mandato sem conseguir entender, de verdade, a dimensão do que representa o cargo no qual está colocado desde 1° de janeiro de 2019. A sua ideia de que não tem responsabilidade pessoal sobre o desastre social e econômico que nos cerca, mais uma vez expressada durante a passagem ontem pelo Ceará, é desprovida de lógica seja qual for o ângulo que a analisemos. Tenho certeza de que mesmo para quem gosta de Bolsonaro, e é muita gente, o raciocínio não se encaixa.

Fosse Bolsonaro o chefe de Estado mais preocupado do mundo com a pandemia, aquele que mais tivesse dedicado tempo à luta contra o vírus e pela busca de soluções que, inclusive, minimizassem o impacto de sua aparição sobre as outras áreas, como a economia de sua obsessão, mesmo assim lhe seria impossível querer, a essa altura, apresentar-se coo alguém tranquilo diante de tudo que teria sido feito. A primeira ministra da Finlândia, Sanna Marin, talvez a governante no mundo que melhor manejou a crise, tanto em seus efeitos sociais como nas consequências econômicas, em dado momento chorou em público e até pediu desculpas à população por não ter feito o suficiente para evitar que mortes acontecessem e vidas fossem afetadas por toda a situação. Não vou nem dizer quais os números de lá para não deixar o leitor deprimido.

Como pode tentar demonstrar qualquer sentimento de alívio pessoal, a partir de uma equivocada compreensão expressa ontem de que não tem "culpa de absolutamente nada", o presidente de um País com 604 mil e 390 pessoas mortas pela covid até a hora em que falava no evento de Russas? É um discurso até cruel em alguns aspectos e que dá ainda mais sentido aos emocionados depoimentos de parentes de vítimas brasileiras, na histórica sessão de segunda-feira da CPI do Senado, inclusive com cobranças públicas a Bolsonaro de um pedido de desculpas pela insensibilidade demonstrada diante do sofrimento dos brasileiros. Exatamente o que se viveu ontem no Ceará, ao vivo e em cores.

Cid Gomes é senador pelo Ceará(Foto: DIVULGAÇÃO)
Foto: DIVULGAÇÃO Cid Gomes é senador pelo Ceará

O barulho de uns e o silêncio de Cid

A CPI da Covid que caminha para o seu encerramento no Senado, com a leitura ontem do relatório de Renan Calheiros e a previsão de que seja discutido e votado na próxima semana, chama atenção em dois aspectos quando observada na perspectiva da bancada cearense com seus três representantes: primeiro, a destacada participação de Eduardo Girão (Podemos) e Tasso Jereissati (PSDB), cada qual com sua perspetiva e objetivo, depois, pelo distanciamento que manteve da confusão, o tempo todo, o senador Cid Gomes (PDT). Fez barulho nos bastidores políticos o silêncio absoluto dele, que não esteve presente a uma só sessão ou fez qualquer intervenção ao longo dos quase seis meses de trabalhos.

A chance suplementar de PT e PDT brigarem

Enquanto 2022 não chega com suas definições, PT e PDT vão aproveitando cada chance de medir forças políticas no Ceará a partir das oportunidades que as eleições suplementares oferecem, o que pode acabar azedando ainda mais a relação entre eles no Estado. É o que vai acontecer no próximo dia 7 de novembro em Jaguaribara, diante de eleição suplementar determinada para a data depois que a justiça cassou os mandatos de Roberto da Viúva (PDT) e de sua vice, Flávia Façanha (PSB), por problemas de contas reprovadas e prazo de desincompatibilização, respectivamente. Nas chapas que já estão definidas, o próprio Roberto da Viúva será o candidato pedetista (com tudo de esquisito que isso represente) enquanto o adversário do PCdoB, Elias do Sargento, que ocupa o cargo interinamente, tentará derrotá-lo apostando no apoio dos petistas locais, aliados com o PP, de AJ ew Zezinho Albuquerque.

 

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