Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: FÁBIO LIMA
Camilo e Elmano: continuidade até no que não vai bem
O governo Elmano de Freitas (PT) dá continuidade aos governos de Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (sem partido) e isso se reflete na equipe e explica parte das dificuldades. Com exceção do núcleo palaciano, todos os principais secretários de Elmano estavam, nos governos de Camilo e Izolda, em alguma função destacada nas áreas que hoje comandam. Isso vale para as principais secretarias cujo trabalho chega à ponta, à população: Saúde, Educação, Proteção Social, Segurança Pública e áreas relacionadas, Administração Penitenciária e Controladoria Geral de Disciplina (CGD). Também na área econômica: Fazenda e Planejamento, além da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Há continuidade ainda em pastas como Cidades, Cultura, Esporte e na Controladoria Geral do Estado (CGE).
O lado positivo é que não há descontinuidade, pelo contrário. Os gestores conhecem os meandros da máquina até melhor que os antigos titulares em alguns casos. A má notícia é a falta de novas ideias, novas soluções, novos caminhos e novos desafios.
Um problema do governo Elmano é a certa sensação de marasmo, de falta de novidade. É algo natural em grupos políticos tão longevos. É um problema que o prefeito José Sarto (PDT), já no último ano de mandato, também enfrenta — a impressão de que apenas repete os programas do antecessor Roberto Cláudio (PDT). Por isso, a Prefeitura aposta hoje na campanha que ressalta aquilo que é feito na atual gestão “pela primeira vez”. O ciclo a que Elmano dá continuidade é ainda mais prolongado.
Estratégias contra a violência
Talvez a área em que a continuidade é mais questionável no governo Elmano seja a segurança. Não há falta de desafios, mas é onde estão os piores resultados. Samuel Elânio não era secretário nas gestões de Camilo e Izolda. Por um ano e oito meses, foi secretário executivo, quando Sandro Caron era o titular. Caron aparentemente só não ficou porque foi convidado e aceitou assumir a Secretaria da Segurança Pública no estado natal, Rio Grande do Sul, na gestão Eduardo Leite (PSDB).
O problema não é Elânio ficar. É injusto colocar a responsabilidade pelas décadas de colapso na segurança cearense em quem está no comando há um ano. Mesmo sobre os resultados tímidos e a situação problemática de agora, há uma postura de governo, que passa pelo governador. Na quarta-feira, 10, Elmano fez live para anunciar ações para a área.
Mais que medidas específicas, parece não estar clara no atual governo qual é a estratégia para resolver seu mais grave problema. São necessárias ações concretas, mas vinculadas a uma política, ou serão apenas iniciativas soltas. Na quinta, Elmano sinalizou que mexerá justamente nesse aspecto. É o necessário.
Caminhos dentro do ciclo
Quando falo que o governo Elmano é a continuidade de Camilo nessa área, importante delimitar qual fase, pois a gestão anterior teve várias etapas. Primeiro, com o secretário Delci Teixeira, discreto e voltado ao trabalho administrativo, numa época de melhora de indicadores, mas quando ainda se duvidava, na cúpula da SSPDS, da força das facções. Depois, com André Costa, um secretário mais de ação, afeito a declarações fortes e polêmicas. Foi quando o Estado teve os piores indicadores na história.
Pretendia fazer acenos à tropa, mas perdeu o controle quando estourou o motim de 2020. Por fim, Caron assumiu e conseguiu estabilizar a situação. Houve dois anos de queda até digna de nota na violência. Mas o modelo, ao qual Elânio dá continuidade, dá sinais de esgotamento.
Há indicativos de necessidade de renovação, não digo de nomes. Não é que Samuel Elânio deva sair. Mas arejar as ideias e as ações na segurança parece algo bem-vindo. Isso deve estar atrelado a uma política e uma estratégia, algo que parte de cima.
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