Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: BARBARA MOIRA
ELEIÇÃO municipal é o momento de debater os problemas que afetam a população mais de perto
Esta será a eleição mais disputada em Fortaleza nos últimos 12 anos. Tem características semelhantes a 2004 e 2012, quando houve incerteza sobre quem iria ao segundo turno. Desta vez, há quatro candidaturas fortes na disputa e nenhuma pode ser descartada. A última eleição municipal foi atípica, marcada pela pandemia de Codiv-19. A data foi adiada em mais de um mês e houve várias restrições às atividades de rua. Este ano, haverá a volta das campanhas de rua com tudo.
A eleição municipal é mais quente, mais próxima das pessoas, o contato é mais imediato. A última eleição municipal sem restrições, em 2016, ocorreu em outro mundo em relação a redes sociais, conectividade e recursos digitais. A campanha deste ano será algo nunca visto nas cidades, com possibilidades e riscos. Será um desafio à fiscalização.
Não quero olhar apenas para os problemas, mas para a possibilidade. A eleição é o momento em que a população é protagonista da política. A despeito do peso da polarização ideológica nacional e internacional, é a chance de debater as questões concretas da vida real. Um grande momento para a democracia.
O problema que Elmano quer ter
A articulação política do governo Elmano de Freitas (PT) passou por três mãos em quatro meses. O governador tem de fazer adaptações numa área que é crucial. Mas, é um problema que ele deseja ter.
Dança das cadeiras
O titular era Waldemir Catanho (PT), que saiu antes mesmo do prazo para cuidar da candidatura a prefeito de Caucaia. Então, assumiu a função Augusta Brito (PT), que se licenciou do Senado para abrir espaço para Janaína Farias (PT). Augusta é a primeira suplente de Camilo Santana (PT), ministro da Educação. Janaína é a segunda.
A licença de Augusta, de quatro meses, terminou e ela retornou ao Senado. Poderia ficar mais tempo fora para seguir na secretaria, mas decidiu retornar a Brasília. (No governo Lúcio Alcântara, Luiz Pontes, do PSDB, licenciou-se do Senado para ser secretário de Governo, que também fazia a articulação política, mas com atribuições ampliadas). Janaína é candidata a prefeita de Crateús.
Com as trocas, Elmano colocou à frente da articulação, de forma interina, o ex-deputado petista Nelson Martins, que acumula com a chefia de gabinete. O governador sinalizou que gostaria que Augusta ficasse na pasta.
Torcida do governador
Ocorre o seguinte: se Catanho e Janaína forem eleitos, Augusta precisa ficar no Senado. A não ser que Camilo deixasse o Ministério da Educação, o que não está no horizonte. Elmano, então, terá de resolver a articulação política. Talvez efetivando o hoje interino. “Nelson já fez isso”, disse o governador ao correspondente do O POVO em Brasília, João Paulo Biage. Elmano lembrou do período em que era deputado, Camilo estava no governo e Nelson acumulou atribuições.
Sobre os resultados eleitorais, ele deixou claro que, por ele, terá de lidar com o desfalque na pasta. “Ainda vai ter eleição. Eu não tenho problema. Eu quero que o Catanho ganhe e a Janaína ganhe”.
Sem problema
Facilita para Elmano o fato de a articulação política ser talvez a área que vai melhor na gestão. Sem tirar o mérito do trabalho feito, muito por causa da enorme base aliada.
Talvez com problema
O contratempo pode ser atravessar o período eleitoral, com muitos possíveis ruídos na base, sem um comando definido na área. Embora Nelson seja uma das pessoas mais capacitadas para a missão. E, pela delicadeza do momento, é provável que o governador mesmo puxe para si.
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