André Fernandes ficou maior que Bolsonaro em Fortaleza
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: FCO FONTENELE
ANDRÉ Fernandes em campanha no bairro Granja Portugal
Os 40,2% de votos válidos de André Fernandes (PL) no 1º turno são mais do que Jair Bolsonaro (PL) obteve em Fortaleza nas duas eleições presidenciais que disputou. Em 2018, Bolsonaro teve 34,38% dos votos na capital cearense. Atrás de Ciro Gomes (PDT), com 40,13%, e à frente de Fernando Haddad (PT), com 19,31% — no segundo turno, Haddad teve 55,61%, contra 44,39% de Bolsonaro, entre eleitores da capital.
Em 2022, Bolsonaro teve percentual muito parecido — 35,17%. Lula (PT) obteve 53,2%. Ciro ficou com 8,66%. No segundo turno, Bolsonaro ficou com 41,2%, contra 58,18% de Lula.
Claro que uma coisa é eleição presidencial e outra uma disputa por prefeitura. Há cenários específicos e contextos diversos. Mas, o objetivo aqui é mostrar que André furou a bolha do bolsonarismo e conseguiu votos que Bolsonaro não tinha. Pelo menos não no 1º turno.
Mas, para ser eleito, ele precisará dos votos de quem não votava em Bolsonaro nem no 2º turno.
A articulação política do ministro Camilo Santana (PT), que tem Chagas Vieira na linha de frente, tem nesta eleição em Fortaleza um dos testes mais difíceis. O camilismo se cacifou de forma impressionante e surpreendente em 2022, ao eleger Elmano de Freitas (PT) em primeiro turno, um governador que não era cogitado como candidato a menos de três meses da eleição. Mas, Fortaleza tem dinâmica e complexidade diferente do Ceará. A imprevisibilidade é bem maior. Camilo, quando se elegeu governador, em 2014, ficou atrás de Eunício Oliveira (MDB) na Capital. Nas eleições de 2016 e 2020, o partido disputou à revelia dele. A rigor, esta é a primeira eleição em Fortaleza na qual Camilo se engaja desde o começo, desde que chegou à primeira divisão da política estadual. Como foi para outros líderes poderosos antes dele, a Capital o desafia.
Capotamento
A derrota de José Sarto (PDT) estava indicada nas pesquisas, mas foi além do ineditismo de ser o primeiro prefeito a não se reeleger. Ele não só perdeu como nem mesmo disputou para valer. Mas, foi pior que isso. O irmão dele, Elpídio Nogueira (PDT), não se reelegeu vereador. Mais que isso: foi o oitavo suplente de uma bancada de 8. PDT precisaria ter eleito o dobro de parlamentares para ele entrar. Aliás, para uma projeção de 14 vereadores, o partido emplacou 8. É a maior bancada, mas foi um baque também. O líder de Sarto, Iraguassu Filho (PDT), não se reelegeu. Nem o vice-líder, Didi Mangueira (PDT). Nem a ex-secretária da Educação, Dalila Saldanha (PDT). Tampouco Coronel Holanda, que comandou a Segurança municipal. A cúpula pedetista faz muitas críticas, mas precisa de uma autocrítica dos erros cometidos.
Cara a tapa
Até o momento em que a coluna era escrita, não havia manifestação pública do prefeito Sarto sobre o resultado. Nem do ex-prefeito Roberto Cláudio, ou de Ciro Gomes. Uma derrota como essa é doída. Mas é obrigação de quem está na política dar satisfação aos eleitores. É parte da liturgia que legitima o processo democrático. Tem virado moda nas várias esferas. Roberto Cláudio não se manifestou logo após a derrota em 2022, Jair Bolsonaro (PL) fez pior no mesmo ano. Capitão Wagner (União Brasil) não falou na noite da derrota, mas ao menos divulgou nota. Não precisa declarar apoio ou tomar posição em segundo turno, não. Mas, candidato está na política para ganhar ou para perder. Quem passa meses fazendo de tudo pelo apoio do eleitor tem obrigação de agradecer pelos votos que tenha tido, muitos ou poucos.
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