Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: SERGIO LIMA/AFP
APOIADORES de Bolsonaro no Congresso Nacional em 8 de janeiro de 2023
O debate político nacional de um ano para cá, pelo menos, tem como tema preponderante as condenações dos denunciados por atos golpistas. A oposição protesta contra o que considera penas excessivas, desproporcionais. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou balanço que permite interessante olhar sobre o tema.
O 8 de janeiro completou três anos nesta quinta-feira. Foram condenadas 1.399 pessoas pelo levante contra os Três Poderes. Seguem presas 179 delas. Desses, 50 estão em prisão domiciliar. Os presos em regime fechado são 129.
Dos condenados, 564 confessaram os crimes e fizeram acordo de não persecução penal com o Ministério Público. Com isso, eles não ficaram presos e cumpriram medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa de R$ 5 mil. Houve centenas de réus que não aceitaram o acordo ou nem responderam. Dos condenados, 415 tiveram penas de até um ano de prisão.
O que ocorreu em 8 de janeiro de 2023 foi grave demais. Não se pode considerar apenas uma vidraça quebrada ou uma estátua pichada de batom. É necessário ter em vista que houve uma ação coordenada com objetivo de atacar os Três Poderes e criar instabilidade em um governo recém-empossado, com chamado explícito à intervenção das Forças Armadas.
A tradição do Brasil é não punir tentativas de golpe, golpistas muito menos. Diante dessa realidade, qualquer pena pode parecer cruel e desmedida. Mas, pela gravidade do que foram os ataques criminosos daquele triste domingo, parece-me que as punições são até pouco severas.
Golpismo confesso e reincidente
O bolsonarismo nega golpismo, mas um dos principais representantes, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), me posta imagem de Lula em alusão a Nicolás Maduro, com o presidente brasileiro preso por representantes dos Estados Unidos. Maduro foi arrancado do próprio País e levado preso a Nova York. Qual seria o motivo de Nikolas para o mesmo ocorrer no Brasil? “Ah, é só um meme”. “É só brincadeira”. Com a repercussão do deputado nas redes, ele compartilha um conteúdo de teor golpista, com o agravante de defesa da intervenção estrangeira.
Democracia e autoritarismo
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) tem criticado ditadores, ao falar sobre a Venezuela. O curioso é que o filho Zero Três do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem como companheiro de aventuras Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, João Baptista Figueiredo. O avô, ao defender a reabertura política, afirmava: “Quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento”. Essa visão de democracia é hereditária.
Eduardo e família sempre foram entusiastas da ditadura brasileira. São críticos da fronteira para lá. Para o ex-deputado, foi uma “ditadura inexistente”. Uma ficção. Tá bem então.
O ex-deputado, defensor da liberdade e da democracia, falava que bastava “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo. Mencionava necessidade de um “novo AI-5”. O instrumento mais extremo da ditadura cuja existência ele nega. O ato institucional aventado por ele seria para o caso de radicalização da esquerda. Nessa circunstância, pensava em reeditar um AI-5. Quando extremistas de direita atacam os Três Poderes, a reação a isso é ditadura.
Colonialismo clássico
A propósito da Venezuela, Donald Trump anunciou que o dinheiro do petróleo do país será usado exclusivamente para compra de produtos dos Estados Unidos. Deve ser a democracia chegando.
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