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Disputas municipais e o impacto para a base estadual
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

Disputas municipais e o impacto para a base estadual

Sobral não é uma cidade como outra qualquer. Nem Ivo nem Moses são meras figuras locais. Talvez o ex-prefeito tivesse merecido um diálogo à parte com Elmano. Ou talvez o governador soubesse que não haveria conversa que desse jeito nesse assunto.
Tipo Opinião
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Cid Gomes, Elmano de Freitas e Ivo Gomes, em 2023, em evento de voo inaugural da Azul no aeroporto de Sobral (Foto: Reprodução / Twitter Elmano de Freitas)
Foto: Reprodução / Twitter Elmano de Freitas Cid Gomes, Elmano de Freitas e Ivo Gomes, em 2023, em evento de voo inaugural da Azul no aeroporto de Sobral

O governador Elmano de Freitas (PT) falou sobre as declarações do ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB) durante a maratona de entrevistas na semana passada. Ivo disse não ter compromisso de apoiar a reeleição do chefe do Poder Executivo estadual e afirmou que ainda não é oposição, mas poderá ser. O cerne da insatisfação, conforme afirma, é a aproximação do petista com os principais adversários de Ivo: o atual prefeito sobralense, Oscar Rodrigues, e o filho dele, o deputado federal Moses Rodrigues (ambos do União Brasil).

Questionado pelo repórter Marcelo Bloc, aqui do O POVO, o governador foi conciliador. Disse compreender a insatisfação e defendeu o diálogo. Enfatizou que, na eleição de 2024 em Sobral, fez campanha para a ex-governadora Izolda Cela (PSB), candidata de Ivo, contra Oscar. Acrescentou ainda que se reuniu com o senador Cid Gomes (PSB), irmão do ex-prefeito, antes de negociar a aliança com a família Rodrigues.

Elmano tratou a questão de Sobral como parte das insatisfações que ocorrem nos municípios. Com uma base ampla, ele relatou, é comum ter apoio do prefeito e da oposição também em alguns lugares. Essa é a leitura dele para a questão com Ivo.

Um pouco mais complexo

Esse tipo de cenário é, realmente, comum. Na época da ditadura militar, passou-se a usar até as chamadas sublegendas. Como só havia dois partidos, elas foram a artimanha para abrigar apoiadores do regime que eram rivais entre si, permitindo disputarem no plano local sem precisarem ir para a oposição. Grupos que eram adversários locais, mas situação em outras esferas, dividiam-se entre Arena 1, Arena 2, Arena 3. Com a redemocratização, as sublegendas acabaram, mas os caciques seguiram mantendo partidos “alternativos”. Siglas que não são a mesma do líder, mas aliadas próximas. O comando é entregue a pessoas de confiança. Quando governador, Tasso Jereissati, no PSDB, mantinha o PSD como “alternativa”. O hoje secretário das Cidades, Zezinho Albuquerque, controlava o PP mesmo quando era filiado ao PDT. Mudou de endereço em 2022. Cid Gomes, no PSB, tem o Podemos na própria esfera de influência.

Em Sobral, não se trata de siglas “alternativas”. O PSB é protagonista na cena estadual. O União Brasil é oposição, mas cortejado pelo governo. Elmano conta que se entendeu com Cid. Mas, o próprio Ivo salientou em uma das entrevistas, o senador tem uma atuação mais estadual. O ex-prefeito passou oito anos enfronhado nas questões locais. Moses na aliança o afeta mais. O governador considerou que, ao se entender com o ex-governador, estava resolvendo com todo o grupo. Ivo nunca funcionou assim. Talvez tivesse merecido tratativas à parte. Ou talvez Elmano soubesse que não haveria conversa que desse jeito nesse assunto.

O fato é que Sobral não é uma cidade como outra qualquer. Nem Ivo nem Moses são meras figuras locais. Este pode integrar a chapa majoritária como candidato a senador. Aquele tem o sobrenome que protagoniza alguns dos principais lances na política estadual há quase 40 anos — hoje tanto na base quanto na oposição.

Precedente

Elmano citou o próprio exemplo ao tratar de Ivo. Lembrou que Camilo Santana (PT) foi aliado de Roberto Cláudio (União Brasil), na época prefeito de Fortaleza, eleito ao derrotar o hoje governador. Mesmo assim, destacou o chefe do Executivo estadual, ele não ficou contra Camilo por isso. No caso, ambos, ex e atual governador, são do mesmo partido.

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