Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: EVARISTO SA / AFP
FLÁVIO Bolsonaro busca se consolidar como anti-Lula
Há um embate que antecede a eleição. Em outubro, será definido quem ocupará a Presidência da República pelos quatro anos seguintes. Para o eleitor comum, é o momento crucial. Para os agentes políticos, não menos importante é definir quem irá comandar o processo. E a intriga está em curso no bolsonarismo.
Desde a visita de Michelle Bolsonaro (PL) a Fortaleza no fim de novembro, a ex-primeira-dama trava queda de braço com os enteados, filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No meio disso está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tudo isso parece ter saído do controle desde que Bolsonaro foi para a prisão em regime fechado, dois meses atrás. Com o líder fora de cena, o conflito interno foi desencadeado. Obviamente, o motivo central para a insistência da defesa na prisão domiciliar é a condição propiciada ao ex-presidente. Mas a possibilidade de ele intervir politicamente nas tratativas é um fator a considerar.
O governador de São Paulo tinha visita ao ex-presidente prevista para essa quinta-feira, 22, mas adiou por ter outro compromisso. Na agenda dele, porém, havia apenas reuniões internas. Nos bastidores, circulou que ele quis se esquivar da cobrança que Bolsonaro faria pelo engajamento dele na campanha de Flávio.
Nessa cenário, pesquisa AtlasIntel mostrou Flávio como alternativa hoje mais forte. Mais que isso, confirmou o que a Quaest já havia mostrado: Tarcísio até tem bom potencial de votos, mas para isso precisa do apoio de Bolsonaro. Sem o ex-presidente, vira um Ratinho Jr (PSD) com mais grife. E o candidato de Bolsonaro é o filho Flávio.
Soma-se a isso que, pelo desempenho de Tarcísio nas pesquisas e o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não faz sentido hoje deixar uma eleição provável no Governo de São Paulo, com o tamanho da máquina e a robustez do orçamento, para uma incerta aventura eleitoral nacional. Na quinta, sob pressão, Tarcísio reafirmou que buscará a reeleição e anunciou que irá a Bolsonaro na semana que vem. Mas a situação não parece tranquila.
Antes de derrotar Lula, o bolsonarismo precisará superar as divisões internas.
O desafio para Ciro de atrair Girão
O bloco que se organiza em torno de Ciro Gomes (PSDB) para a disputa do Governo do Ceará ainda espera atrair Eduardo Girão. O senador do Novo lançou a pré-candidatura em novembro — teve Michelle Bolsonaro (PL) como convidada e plantou uma crise no bolsonarismo nacional e na aliança pretendida no Estado. Planeja um novo lançamento para o fim deste mês, no Cariri. Quem escuta Girão percebe que um recuo é improvável.
Na sexta-feira passada, 16, Ciro fez um aceno. “Acho só que ele precisa ponderar se não é oportuno, e ele é que vai saber, não sou eu, que nós nos unifiquemos todos para combater essa prepotência, essa ditadura corrupta que está dominando o Ceará”.
Na mesma sexta, Girão publicou artigo aqui no O POVO. Não falou o nome de Ciro, mas deu recados. Defendeu “alternância verdadeira de poder — não o revezamento dos mesmos grupos que já passaram pelo Palácio da Abolição e nos trouxeram ao atual cenário de caos de violência e desesperança”.
Acrescentou: “A mudança que rompe paradigmas só virá com alguém independente, com histórico de superação, coragem e disposição para trabalhar, administrando com valores e princípios éticos. Um líder que encare o mandato como missão existencial, e não como meio de vida, livre de acordões que perpetuam privilégios para essa ou aquela família… O foco precisa ser exclusivamente o bem-estar do cidadão cearense e a retomada do desenvolvimento”.
A questão, para Girão, é que Ciro — ou Roberto Cláudio (União Brasil) — não representa uma mudança real em relação ao projeto que está no poder, pois ambos eram parte até 2022.
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