Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: Mateus Dantas, em 20/10/2018
FERNANDO Haddad e Camilo Santana em ato de campanha no 2º turno de 2018
O ministro da Educação, Camilo Santana, é a figura que mais cresceu dentro do PT ao longo dos últimos quatro anos, na perspectiva de suceder Luiz Inácio Lula da Silva como referência em plano nacional. Hoje, os nomes mencionados são, basicamente, os dele e de Fernando Haddad. Este último não é novidade. Já concorreu a presidente quando Lula estava preso, em 2018. Camilo chegou ao governo ao lado de outros ex-governadores do Nordeste, como Rui Costa, da Bahia, e Wellington Dias, do Piauí. De longe, o titular da Educação foi o que sobressaiu em relação a agendas positivas. Eleitoralmente, a maior votação de Lula em 2022 foi no Piauí, seguido de Bahia, Maranhão e Ceará. Mas o cearense tem a vantagem de Fortaleza ter sido, em 2024, a única capital do Brasil em que o partido venceu, com Evandro Leitão. O que pode atrapalhar o projeto nacional do hoje ministro da Educação é a necessidade de olhar para o próprio Estado.
O ministro irá se desincompatibilizar até o começo de abril. Argumenta que irá se dedicar à campanha e às articulações. Mas é o prazo, justinho, para permitir a ele se candidatar. O líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT), reconheceu que haverá a suspeita de que o ministro disputará o governo. “Mas suspeitas são suspeitas”, pontuou.
Mas o interessante foi a entrevista de Camilo ao O Globo, no domingo passado. Ele falou sobre a eleição em São Paulo e a necessidade de Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad concorrerem. “É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não. Seja para o governo ou para o Senado”.
Sobre Haddad, o ex-governador cearense comentou: “O Haddad cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior. Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes pessoalmente não quer. É o que poderá acontecer em São Paulo. Não tenho dúvida que o Haddad vai se empolgar”.
A mesma lógica vale para o Ceará? O ministro responde: “O candidato é Elmano. A ideia é que eu possa estar mais livre, inclusive para ajudar na eleição presidencial no Nordeste, pela minha articulação que eu tenho com os governadores e senadores. É juntar um pouco do Ceará e da eleição nacional”.
Não tenho dúvida de que a vontade de Camilo não é ser candidato no Ceará. Ele fará de tudo para deixar o governador Elmano de Freitas (PT) na melhor condição possível. Ele só voltará para disputar a eleição estadual se não vir outro jeito. O projeto dele, hoje, é nacional, como diz o próprio Elmano.
Nesse embate federal, ao mesmo tempo, ele defende Haddad comprometido com São Paulo.
Efeitos locais e estaduais
Em entrevista na segunda-feira, 26, ao podcast Jogo Político, a vice-governadora Jade Romero (MDB) comentou as declarações do ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), que afirmou não ter compromisso com a reeleição de Elmano de Freitas e admitiu possibilidade de ir para a oposição e apoiar o irmão, Ciro Gomes (PSDB). Jade classificou o episódio como “resquício da eleição municipal em algumas cidades”. Ela destacou ser importante não permitir que a situação se prolongue e afete a eleição estadual.
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