Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
Governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de São Paulo, Tarcísio de Freitas
Ronaldo Caiado trocou o União Brasil pelo PSD. O novo partido agora tem três governadores pré-candidatos a presidente: Ratinho Jr, do Paraná; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Caiado, de Goiás. Nenhum é cotado para sair vitorioso, mas qualquer um deles tem boas possibilidades de ser a terceira força, com influência significativa sobre um segundo turno.
Já o União Brasil deixa, em princípio, de ter pré-candidato presidencial. No Ceará, a federação formada entre o ex-partido de Caiado e o Progressistas é uma das grandes forças de oposição, mas é composta de uma forte ala governista, que tenta levar as legendas para a base.
O PSD cearense é situação, tem dois secretários na gestão Elmano de Freitas (PT), mas é cobiçado pelos adversários do governador. A legenda, comandada por Domingos Filho, já deixou claro que quer ter espaço na chapa majoritária. No plano federal, o PSD tem três ministros na equipe de Lula, mas isso não significa que seja base.
O União Brasil é oposição. Tinha também ministros, mas expulsou Celso Sabino por se recusar a sair do governo Lula. Sabino acabou demitido para dar lugar a Gustavo Feliciano, que foi indicado pelos governistas dentro do próprio partido. Outros filiados seguem em cargos diversos.
A eleição federal, já escrevi sobre isso, tem impacto determinante nos pleitos cearenses. O bloco de oposicionista estadual se formou em torno de questões locais e a conjuntura federal atrapalha. O pré-candidato dessa ala, Ciro Gomes, está no PSDB, que ainda não sinalizou o caminho que seguirá no cenário nacional. A formação do palanque de Ciro é complexa, em particular em relação à Presidência.
A jogada do PSD
O PSD é comandado por Gilberto Kassab. Ele defende há algumas eleições que o partido deve ter candidato a presidente, mas isso até hoje nunca aconteceu. Em 2014, primeira disputa nacional após a fundação da sigla, apoiou a reeleição de Dilma Rousseff (PT). Em 2018, sinalizou concorrer com Afif Domingos, mas acabou apoiando Geraldo Alckmin, que na época estava no PSDB. Em 2022, Kassab queria como candidato o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que não embarcou na ideia. A legenda acabou ficando neutra.
O PSD tem ministros, muitos governadores e diversos prefeitos. Uma potência política que não é protagonista, mas consegue ter influência decisiva. Com os três governadores pré-candidatos, Kassab posiciona o partido para ter peso determinante mesmo que não vença.
A questão é que, pela natureza da legenda, é sempre crucial liberar as bases estaduais para se posicionarem como quiserem e fazerem acordos livremente. Nesse sentido, garantir o engajamento na candidatura própria ao Palácio do Planalto será um desafio.
Se é que o plano de ter candidato será mantido e não haverá recuo como nas outras vezes.
Tarcísio sem opção?
Em entrevista ao portal Jornal Razão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mostrou como está o clima dentro do bolsonarismo. Ele comentou sobre se o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, irá aceitar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) a presidente da República.
"Acho que ele não tem nem muito o que aceitar, porque é difícil você mudar essa conduta", disse Eduardo.
O ex-parlamentar prosseguiu: “O Tarcísio, até ontem, é um servidor público, um desconhecido da sociedade, que ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura e depois foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro”.
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