Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: Tatiana Fortes, publicada em 3/10/2016
CAMILO Santana, Ivo Gomes e Cid Gomes há 10 anos
O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) afirmou que o PT só quer a família Ferreira Gomes para ganhar a eleição, mas quer mantê-la afastada do governo. Queixas sobre concentração política de poder no PT têm partido dos próprios irmãos. Ivo Gomes (PSB) e Lia Gomes (PSB) — esta última secretária de Mulheres do governo Elmano de Freitas (PT) — reclamaram do tratamento que, particularmente, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), estaria dedicando ao senador Cid Gomes (PSB).
“O PT tem um defeito, só precisa dos Ferreira Gomes para ganhar a eleição, mas para governar não quer”, disse Mota. “Na hora que é para ganhar, o nome do Cid está em tudo que é tribuna, está em tudo que é jornal. Bota para elogiar em todo canto, arma uma sensação todinha. É frase de efeito. ‘Só preciso dos Ferreira Gomes para ganhar a eleição. Para governar? Vixe deixa afastado! É do nosso jeito, é do jeito que a gente tem’. Mas isso vai acabar, pode ter certeza que isso vai acabar”. Mota mobiliza um sentimento que existe na família e usa para atiçar ainda mais a divisão na base governista.
Há duas semanas, em entrevista, Lia falou: “Vejo que ele (Camilo) toma algumas atitudes que, por exemplo, o Cid cita muito que durante os governos dele o PT cresceu. Eu acho que tem que existir o mínimo de lealdade entre pessoas que são aliadas. Você pode buscar o crescimento do seu grupo, do seu partido, entre pessoas da oposição, não entre grupos de aliados. Eu acho que é nesse ponto que o PT, no geral, não estou falando nem só especificamente do Camilo, que existe esse desrespeito a um aliado. Não se trata um aliado com o devido respeito que exigiria, que deveria tratar uma pessoa que deu a mão, as oportunidades. Acho que o Cid merecia, ou não merece algumas coisas que vem sofrendo hoje em dia”. Ela não detalhou a que se refere.
Semanas antes, havia sido a vez de Ivo. “Talvez eu possa estar sendo pessimista ou fatalista, mas eu não consigo me enxergar como aliado do Camilo no futuro. Não é mais a mesma pessoa. Ele se esqueceu que ele era um João-Ninguém e que o Cid fez dele tudo, não é? Fez dele secretário, duas vezes, e hoje a preocupação maior do Camilo é destruir o Cid. Tá nesse nível”.
O próprio senador reclamou um punhado de vezes da concentração de poder com um só partido. No fim de 2024, chegou a informar a correligionários que deixaria a base de sustentação de Elmano, por causa da indicação de Fernando Santana (PT) para presidente da Assembleia Legislativa. A situação levou a uma reviravolta, na qual Santana se retirou e Romeu Aldigueri — do partido de Cid, na época líder do governo Elmano e com as bênçãos de Camilo — foi o escolhido.
A família Ferreira Gomes se acostumou a ter protagonismo. Eleitoralmente, é vista ainda como decisiva. Mas há sinais de insatisfação com o espaço ocupado.
Como a oposição vê os Ferreira Gomes
Na oposição, Ciro Gomes (PSDB) chega como protagonista. É apresentado como cabeça de chapa para governador. Mas não dá para dizer que grande parte do grupo também não esteja se aproximando dele por ver nele a opção mais competitiva do bloco — e não por morrer de amores por Ciro.
Basta observar os presidentes dos dois maiores partidos da possível coligação. Capitão Wagner, do União Brasil, protagonizou com Ciro as discussões mais ríspidas da política cearense na última década e meia. Na aproximação, os processos movidos foram retirados.
André Fernandes, do PL, falou: “Não tenho dúvida de que não só eu, mas a maioria dos integrantes do PL tem sim algumas, algumas divergências com Ciro Gomes. Mas a gente precisa entender o momento. Hoje a gente está convergindo muito mais do que tendo divergência”, disse no dia da filiação do ex-governador ao PSDB.
De um lado e outro, o movimento é para vencer. A diferença é que, se a oposição conseguir, não poderá descartar Ciro. Ele será o poder. Ele não é o candidato dos sonhos do bloco, mas se tornou o preferido por ser aquele com mais chances.
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