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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Bolsonaro tem problemas na Justiça do Ceará

Tipo Opinião
CAMILO Santana iniciou discussão sobre o início da flexibilização da quarentena    (Foto: Fábio Lima)
Foto: Fábio Lima CAMILO Santana iniciou discussão sobre o início da flexibilização da quarentena

A Justiça do Ceará tem dado dores de cabeça ao governo Jair Bolsonaro. No começo da semana passada, o juiz Luís Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal de Fortaleza, suspendeu a liberação de 63 novos agrotóxicos em todo o Brasil. No fim da mesma semana, o juiz trabalhista Germano Silveira de Siqueira, da 3ª Vara do Trabalho de Fortaleza, considerou inconstitucional a medida provisória 905, do contrato de trabalho "verde e amarelo".

Como uma delas é decisão da Justiça Federal e outra da Justiça do Trabalho, ambas têm abrangência nacional. Ambas são de primeira instância e a primeira é liminar, inclusive. A chance de serem derrubadas não é pequena. Ainda assim, são significativas as duas decisões a partir de juízes do Ceará.

No caso da MP da carteira verde e amarela, foi a primeira decisão a ir contra o dispositivo. Há expectativa de que não seja a única. Serão muitos os questionamentos.

Os limites da relação Ciro-Camilo

Ciro Gomes (PDT) briga com o PT, mas preserva Camilo Santana (PT). Até certo limite. Em geral, é só elogios. Na entrevista a Leda Nagle, na semana passada, referiu-se ao governador como "companheiro do PT que está batendo um bolão". No Cariri, terra de Camilo, disse: "Camilo hoje é maior do que o Cid (Gomes) como governador". Colocou-o à frente do próprio irmão, algo significativo para um grupo que tem senso familiar como poucos.

Porém, na recente entrevista ao El País, ele bateu duro no PT e colocou Camilo no balaio. "O PT fez o que sempre fez. Por cima da mesa, todos contra. Por baixo da mesa, governadores do PT, sem exceção, trabalharam pela reforma da Previdência".

Não citou o nome de Camilo, mas, ao colocar o "sem exceção", tirta qualquer margem para isentar o governador.

Foi a articulação na qual o governador e os Ferreira Gomes estiveram mais distantes. Houve Ferreira Gomes que precisou atuar diretamente para evitar que até deputados do PDT votassem pela reforma.

Quanto mais relevância nacional tiver Camilo, mais complicado será administrar essa convivência com Ciro. E a atuação nacional de Camilo é crescente.

Ex-Psol e hoje na Rede, ex-vereadora é Ciro "e não abre"

Filiada à Rede Sustentabilidade há pouco mais de dois meses, a ex-vereadora Toinha Rocha escreveu ontem em suas redes sociais: "Ciro Gomes é um político capaz para tirar nosso país dessa crise. Estou com ele e não abro. Nosso povo precisa muito de um brasileiro que esteja acima das questões partidárias e pequenas".

Toinha ocupa cargo na gestão Roberto Cláudio (PDT). Foi vereadora pelo Psol. Está na Rede, partido que tem em Marina Silva a fundadora e sempre potencial candidata a presidente. Depois do resultado em 2018 muito aquém das eleições anteriores, Marina já não é unanimidade no partido.

Na época de Psol, Toinha era raro nome de expressão que não vinha da mesma origem política, da mesma base social e mesmo campo hegemônico do grupo de João Alfredo e Renato Roseno. Até por isso, ela deu ao partido votos diferentes, que permitiram eleger uma bancada de dois vereadores. Hoje não tem nenhum, apesar do desempenho notável de Ailton Lopes na eleição passada. Sobraram votos ao candidato, faltaram ao partido - é a regra do voto proporcional, que fortalece legenda acima de nomes.

Desde aquela época, ela não seguia a mesma cartilha da legenda, na oposição a Roberto Cláudio. Fazia sinais de simpatia. Até que, em 2015, ela rompeu com o Psol e aderiu à base governista. Hoje, é Ferreira Gomes e não abre.

 

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