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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

EricoFirmo • Opinião

PT vai de novo de Luizianne?

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Luizianne Lins é o nome mais forte do PT em Fortaleza. Ela larga com maior potencial de votos, certamente. Mas, também é quem tem a maior rejeição, resultado do desgaste dos oito anos de uma administração polêmica. Por esse motivo, ninguém no PT duvida que ela começa com o maior patamar de intenções de voto dentro do partido. A dúvida é se ela tem o maior potencial para terminar na frente. A avaliação corrente é de que dificilmente ela venceria a eleição ou mesmo brigaria com chances de ir ao segundo turno. O mais provável seria uma terceira colocação, como a obtida em 2016. Hoje na presidência municipal do PT, após impor derrota algo surpreendente aos maiores caciques da sigla no Ceará, Guilherme Sampaio coloca o pescoço de fora com intenção de concorrer a prefeito de Fortaleza. Corre risco de não alcançar nem o terceiro lugar no qual Luizianne já ficou. Porém, talvez pudesse ir mais longe do que o teto dela.

Esse tipo de avaliação é sempre complicada. É improvável qualquer partido deixar de lançar seu nome mais forte em nome de outro que teria chances teóricas de se sair melhor, sendo que larga de patamar bem menor. Seria apostar alto, e com risco, na esperança de ganhar mais. Ir além de marcar posição.

A eleição hoje é muito curta. A campanha de primeiro turno dura um mês e meio. Quando Roberto Cláudio e Elmano de Freitas saíram lá de baixo para fazer o segundo turno de 2012, eram três meses de primeiro turno. É possível, mas não é o mais provável que o segundo turno deixe de ser entre Capitão Wagner (Pros) e o candidato do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

O PT não deverá estar em nenhum dos polos. Assim como outras forças - PSDB, Novo, Psol, bolsonarismo - tentará se viabilizar como terceira via. A escolha do candidato espelha a estratégia. Luizianne tem o recall, a experiência administrativa, o referencial com a esquerda e a inserção em setores da periferia. Guilherme tem a imagem de um PT light, sem radicalismo. É empresário do ramo da educação, teve passagem pela Secretaria da Cultura do governo Camilo. Seria um caminho para driblar o desgaste recente do PT. Evitar a rejeição acumulada. A esperança seria ir além do que o partido tem conseguido. O perigo é perder os votos tradicionais e não ganhar os novos.

O histórico recente do PT em Fortaleza

Na eleição passada, Luizianne foi terceira colocada, com menos da metade dos votos do Capitão, segundo colocado. Era o ano do impeachment de Dilma Rousseff e o PT estava no auge do desgaste. Aposta-se no PT que a rejeição está menor que há três anos, reflexo dos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL). No ano passado, Fernando Haddad (PT) foi o mais votado na Capital no segundo turno: 55,6% contra 44,4% de Bolsonaro. No primeiro turno, todavia, Haddad foi o terceiro, com 19%, atrás de Ciro Gomes (40%) e Bolsonaro (34%).

O bolsonarismo é uma força muito expressiva em Fortaleza. Mas, não foi majoritária até agora. A questão é saber se irá se alinhar com o Capitão Wagner ou escolherá outra candidatura.

O rompimento com o PSL deixou os atuais porta-vozes do bolsonarismo no Ceará mais distantes do Capitão. O que não significa que tenha ocorrido o mesmo com os eleitores.

Capital estratégica

Um fator extra em tudo isso: o PT está desarticulado em todo o Brasil e Fortaleza é uma das capitais em que o partido mais aposta. Daí você tire. Luizianne é um nome que larga com força. Guilherme ou outros não seriam.

Em liberdade, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é peça importante. Ele até hoje se sente em dúvida com Luizianne por não apoiá-la em 2004 e trabalharia por ela caso ela queira concorrer.

Mas, essa é outra dúvida. Luizianne é a principal alternativa do PT, mas ainda há interrogação sobre o tamanho da disposição para ser candidata, ainda mais se enfrentar contraponto interno.

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