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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

EricoFirmo • Opinião

Reforma do petista Camilo surpreende PT porque PT quer se surpreender

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Incomodou profundamente o PT a proposta de reforma da Previdência do governo Camilo Santana (PT). Ora, o PT se faz de desentendido ou quer se enganar. Camilo apoiou a reforma da Previdência de Bolsonaro. Verdade que fez críticas a propostas de mudanças na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que acabaram retirados. Resolvido esses pontos, ele apoiou a reforma. Aliás, não só ele, que é reconhecidamente um petista-ferreira-gomista. Como disse Ciro Gomes (PDT) outro dia: ". Por baixo da mesa, governadores do PT, sem exceção, trabalharam pela reforma da Previdência". A crítica de Camilo surpreendeu ao não preservar nem Camilo. Mas, no caso do governador cearense, o trabalho nem foi tão "por baixo da mesa" assim. Ficou explícito nos gestos dele e nos votos da bancada. Metade da representação cearense votou pela reforma. E só não foram mais porque Cid Gomes entrou em campo para segurar os votos do PDT.

Para além disso: no ano passado, Camilo propôs e a Assembleia Legislativa aprovou mudanças na Previdência dos servidores estaduais do Ceará. Vinha na esteira da reforma de Michel Temer (MDB), que nunca saiu. A do Ceará passou. Inclusive com aumento de alíquota para os servidores cearenses, chegando a 14%. Eles já pagam mais caro o que só ocorrerá em âmbito nacional a partir de agora. Na época, não houve um voto contrário dos petistas.

Quando o PT assumiu a Presidência, em 2003, teve na reforma da Previdência seu primeiro grande ato. Entrou em conflito com servidores, houve greves pelo Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado de traidor e o partido rachou. Dessa divisão nasceu o Psol. No governo Dilma Rousseff (PT), foi extinta a aposentadoria integral dos servidores. Mudanças muito menores que as realizadas agora.

Esse é um paradoxo que o PT administrou como pôde ao longo dos 13 anos de governo. Saiu do poder central, mas segue em estados e prefeituras, para os quais a conta das aposentadorias é um problemão. É dos mais óbvios constrangimentos para o discurso do partido na volta à oposição.

Não à toa, a base governista de Bolsonaro não quis incluir estados e municípios de forma automática na reforma. Para cada governante ter de mandar o próprio projeto e sofrer o próprio desgaste. É o jogo.

Câmara mantém veto de Bolsonaro

sobre fundo eleitoral, e faz bem

Foi mantido ontem o veto do presidente Jair Bolsonaro à proposta que permitia partidos políticos usarem fundo partidário para pagarem m ultas eleitorais. Houve tentativa de derrubar o voto, que teve uma enormidade de votos, aliás. Mas não foram o bastante. Eram necessários 257 e houve 223.

O uso do Fundo Partidário para pagar multas foi aprovado em setembro e é uma afronta ao interesse público. Autoriza verba governamental para arcar com punições por irregularidades eleitorais.

A legislação eleitoral já tem penas muito brandas. Julgamentos se arrastam por anos e anos - em algum caso o mandato termina sem solução. O crime costuma compensar. Vale a pena cometer a irregularidade para ganhar a eleição e depois pagar multa. Liberar dinheiro público para arcar com esse custo é o escárnio do escárnio.

Greta Thunberg, a inimiga que incomoda Bolsonaro
Greta Thunberg, a inimiga que incomoda Bolsonaro

Bolsonaro "se troca" com adolescente

O presidente Jair Bolsonaro tem direito de responder a críticas e negar acusações. Mas, o cargo impõe o mínimo de compostura ao fazer isso. Chamar de "pirralha" uma garota de 16 anos é desqualificado, é rude e rebaixa a instituição Presidência a uma "briga de rua" com uma adolescente. Greta Thunberg não desceu ao mesmo patamar. Foi mais elegante que o chefe de Estado.

 

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