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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

EricoFirmo • Opinião

Governo não esperava reação de policiais e vai conversar

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O governo Camilo Santana (PT) não imaginava a reação ocorrida com o plano de reajuste dos policiais militares. Como a maioria dos estados está em situação fiscal bastante delicada, não é comum haver aumentos, muito menos planos de reestruturação salarial de longo prazo. Havia o cálculo, inclusive, de que a proposta iria dar pontos para o governo perante a tropa. Porém, o que há é insatisfação grande.

O termômetro das redes sociais e de parlamentares que representam a categoria aponta para muita gente insatisfeita. O Palácio da Abolição trabalha com informação de que a rejeição à proposta não é generalizada.

O governo sabe que lida com uma categoria fundamental e com características bem próprias. Policiais são muito importantes. Professores também são. Porém, um dia sem aula não é visto com a mesma gravidade de um dia sem policiais - embora, de forma continuada, a ausência de aulas seja um prejuízo irremediável.

O governo deflagrou operação política para administrar a crise. Muitas conversas estão em curso. Há margem para nova propostas para policiais? Bem, ela dependerá de novos estudos, novos cálculos orçamentários. Dar mais para os policiais significará tirar de algum lugar que não estava previsto. A margem de manobra da equipe econômica está bastante apertada e é improvável que a proposta se torne algo muito diferente do anunciado.

O governo não diz que não há espaço para negociar. Mas, não tem folga. Nem vai entrar numa negociação dizendo de antemão que está disposto a pagar mais. Por enquanto, há conversas.

Camilo mostra que não é Cid Gomes

O governo iniciou série de conversas. Comandantes estão indo aos quartéis, reunindo tropas, mostrando os dados, os argumentos do governo, os números. Em paralelo, o Palácio da Abolição também faz conversas. Recebe parlamentares, jornalistas. O governo espera acordo. Mas, prepara-se para qualquer cenário, inclusive o pior. A inteligência monitora o que está ocorrendo.

A paralisação de 2012 ganhou a dimensão que teve pelos erros do governo Cid Gomes (PDT). No primeiro embate, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) tentou medir forças. A dimensão da insatisfação, do movimento e das consequências foram dramaticamente subestimadas. No auge da crise, os representantes do governo atuaram nos bastidores, nas negociações internas e esqueceram que havia uma população assustada e à espera de respostas, ao menos de sinais de que havia governo. No vácuo, os grevistas se tornaram as fontes de informação e a única referência para a opinião pública.

O governo Camilo age diferente em alguns pontos. Avisa que não está fechado ao diálogo. Trava debate em torno das propostas. E prepara-se para todos os cenários, inclusive o pior.

A greve dos policiais em 2012 marcou período a partir do qual a segurança pública no Ceará degringolou. Os indicadores bateram recordes negativos. A população sofreu. Foi momento de esgarçamento total das relações. Espera-se que governo e representantes da categoria tenham maturidade e responsabilidade hoje para que não se chegue a nada nem parecida. Foi ruim para o governo. Foi ruim para a própria categoria, que teve desgastes antes, durante e depois. E, pior de tudo, foi muito ruim para a população.

Calendário

O projeto ainda não foi enviado à Assembleia Legislativa, mas o plano do governo Camilo Santana é que ele seja enviado e aprovado ainda em fevereiro. Para que os pagamentos ocorram em março.

Ouça análise no podcast Jogo Político:

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