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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

EricoFirmo • Opinião

Com o Capitão e o Soldado em baixa, ressurge o Cabo

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Os parlamentares que pertencem a corporações policiais - deputado federal Capitão Wagner, deputado estadual Soldado Noelio (ambos Pros) e vereador Sargento Reginauro - desgastaram-se na negociação de reajuste salarial para policiais e bombeiros militares. Eles negociaram com o Governo do Estado uma coisa que foi posteriormente rejeitada, nas manifestações que receberam principalmente pelas redes sociais. Indispuseram-se com a categoria que representam e com com os interlocutores do governo. De lá para cá, tentam reconquistar o apoio da base e pressionam o governo a negociar. Com o desgaste desse grupo, reapareceu um ex-deputado em busca de espaço entre a categoria.

Flávio Sabino, o Cabo Sabino, foi um dos líderes da paralisação de 2012 dos policiais. Era presidente da Associação de Cabos e Soldados Militares do Ceará (ACSMCE). Em 2010, já havia liderado o movimento de policiais do Ronda do Quarteirão que pararam viaturas nos pátios dos quartéis e se recusaram a circular. Em 2014, formou dobradinha com Capitão Wagner, que se elegeu deputado estadual. Sabino virou deputado federal com 120.485 votos.

Ao longo do mandato, gradualmente o Cabo se afastou do Capitão, ao perceber que Wagner seria candidato a deputado federal. Ele passou a se aproximar da base do governador Camilo Santana (PT) e chegou a ser coordenador da bancada do Ceará no Congresso Nacional. Na eleição de 2018, ambos concorreram a deputado federal. Wagner foi o mais votado do Estado, com 303.593 votos. A votação de Sabino caiu a pouco mais de um terço da obtida em 2014: 47.010 votos. Não foi eleito.

No ano passado, o Avante, partido que Sabino presidiu até ano passado, declarou apoio ao Capitão. Nos movimentos dos últimos dias entre policiais - ontem em particular - Sabino apareceu. Enquanto os parlamentares tentavam alguma mediação, Sabino tomou as dores das reivindicações mais radicais dos policiais. Enquanto Noelio dizia que ninguém falava em paralisação, Sabino conclamava greve.

No vácuo de líderes, ele apostou no discurso que grande parte dos policiais queriam ouvir para tentar se legitimar como novo porta-voz. Há várias crises envolvendo as forças de segurança e o governo e uma das maiores é a ausência de referências de comando no movimento. Sem interlocução clara, acreditada entre os representados e confiável, não haverá saída do impasse.

Quem se viabilizar como interlocutor para mediar uma saída também irá se credenciar politicamente. O histórico recente mostra que líderes entre os policiais emplacam mandatos logo a seguir.

Eleições 2020 e a Polícia

O ano de 2012, última alternância de ciclo político em Fortaleza, começou com greve de policiais militares. As condições são diferentes, mas a paralisação deste ano tem mais a ver com o cenário eleitoral do que aquela. Capitão Wagner naquele momento emergia. Agora, protagoniza. Os desdobramentos de agora serão decisivos no debate eleitoral deste ano.

O custo para o PT do esvaziamento de Camilo no partido

O deputado estadual Acrísio Sena tem, quase isoladamente, defendido a participação do governador Camilo Santana (PT) na eleição em Fortaleza. As conversas correm céleres, mas Camilo segue fora. Está praticamente definido que o partido terá candidato, coisa que Camilo já deixou muito claro não querer. Ninguém na sigla parece até agora ligar para isso. "Camilo é o maior eleitor do Estado, a figura pública com maior capacidade de transferência de votos em Fortaleza. Nesta tentativa de isolá-lo, a perda maior é do próprio partido", diz Acrísio.

 

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