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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

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Estratégias para eleição em Fortaleza foram atropeladas

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No podcast Jogo Político, veiculado ontem, o editor de Política do O POVO, Guálter George, aponta que a Covid-19 bagunçou o roteiro projetado pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT) para a sua sucessão. O plano do principal opositor, Capitão Wagner (Pros), já havia sido atropelado em fevereiro, pela paralisação da Polícia Militar. O roteiro pré-eleitoral desenhado pelas estratégias em abril foi para o espaço. Elas e muito mais coisas com a pandemia da Covid-19.

Ouça o podcast Jogo Político

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A esta altura, o plano do prefeito era estar com um monte de obras em estágio avançado, perto de serem inauguradas. Os canteiros sendo visitados e inaugurações sendo feitas por ele e seu provável candidato, o secretário de Governo, Samuel Dias. A pandemia obrigou muitas obras a parar. Não estão havendo visitas, inaugurações tampouco. Roberto Cláudio projetava para abril a definição do candidato. Até para trabalhar o nome que, como já comentado, será de alguém que largará de baixo, será pouco conhecido. Precisará ser trabalhado.

Sempre há de se lembrar que Roberto era pouco conhecido em 2012, mas seu adversário no segundo turno também era. No caso, Elmano de Freitas (PT). A campanha tinha o dobro da duração. Agora, há como adversário Capitão Wagner. Há trabalho a fazer na base aliada, mas ele não pode ser feito agora. Não tem nem clima para se anunciar candidato numa hora dessas.

Cicatriz na militância do Capitão

Quanto ao Capitão, o movimento de fevereiro deixou cicatrizes num segmento que não é apenas base eleitoral. É a militância mais ativa de qualquer candidato no Ceará. E mais organizada. Não é dispersa, é parte de uma corporação. A capacidade de articulação é insuperável. Porém, ficaram muitas sequelas do malfadado movimento de fevereiro. Os impactos são múltiplos.

Houve insatisfação com a postura de Wagner desde antes do motim e também no decorrer. No princípio, ele articulou para que a proposta fosse aceita e a categoria não parasse. O que pode até ser capitalizado por ele, pois o movimento do ex-deputado Cabo Sabino se mostrou um erro de cálculo. Imaginou-se que a Polícia parada podia exigir o que quisesse. Ficou a memória de 2012, daquela conjuntura e da postura daquele governo. O resultado foi uma derrota política grande e com sequelas.

A imagem de Wagner foi afetada, mas não só ela. Há em vários segmentos rancor em relação ao governador Camilo Santana (PT). No fim das contas, a base do capitão não o abandonará na eleição. Votará nele e fará campanha. Não se sabe se com a mesma entrega.

Samuel Dias já estava na estratégia política de Roberto Cláudio desde 2016
Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Fortaleza
Samuel Dias já estava na estratégia política de Roberto Cláudio desde 2016

Filiação

Alguns movimentos nessa fase não querem dizer que algo vá acontecer. Mas, se eles não ocorrem, querem dizer que não ocorrerá. Por exemplo, a filiação de Élcio Batista, abordada ontem, não quer dizer que ele será candidato. Mas, se ela não ocorre, significaria que ele não seria..

Mas, há coisas que, mesmo sem ocorrerem, são indicativos de planos e visões. Samuel Dias, secretário de Governo e mais provável candidato de Roberto Cláudio, filiou-se ao PDT em 31 de março de 2016. Era o fim do prazo para quem pretendia ser candidato nas eleições municipais daquele ano.

Samuel não concorreu a nada. Então, por que se filiou naquela data? Ele, que nunca fez política? Coincidência? Poderia ser em qualquer data? Mais alguns elementos: ele se filiou, mas não se desincompatibilizou ao mesmo tempo, no prazo para concorrer a vereador. Então, ele não cogitava concorrer a vereador.

O prazo para desincompatibilização de quem pretendia concorrer a prefeito ou vice era dali a dois meses. Samuel não seria candidato a prefeito - Roberto Cláudio buscaria reeleição. Então, ou a filiação naquela data foi coincidência ou, em 2016, o prefeito via em Samuel um nome caseiro para ocupar a vice numa eventual chapa pura. No caso de não sair acordo com aliado de peso - acabou sendo o DEM de Moroni Torgan.

Ou seja: já em 2016 o prefeito via em Samuel alguém em quem apostar para pretensões majoritárias.

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