Logo O POVO+
Bolsonaro está nu
Foto de Érico Firmo
clique para exibir bio do colunista

Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

Bolsonaro está nu

Tipo Análise

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou ontem a prova de que o presidente Jair Bolsonaro não disse a verdade. A AGU é responsável pela defesa do presidente. E ela entregou uma comprometedora prova de acusação. O órgão encaminhou ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), transcrição dos diálogos ocorridos na reunião ministerial de 22 de abril. E, bem, a transcrição feita pela AGU revela que o presidente disse o que ele afirmou que não disse. Atesta que a versão do presidente não se sustenta. Tem a consistência de pudim que desonereou.

Na terça-feira, Bolsonaro disse: "Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal." Naquele mesmo instante, o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, prestava depoimento e dizia que tinha ouvido duas vezes o presidente reclamar da necessidade de mais dados de inteligência para decisões. O general informou que o presidente falou da Abin, das Forças Armadas, Polícia Federal e polícias militares. Na quarta-feira, Bolsonaro desmentiu o ministro. "O Ramos, se ele falou isso, se equivocou." Ramos não se equivocou.

A transcrição da AGU mostra que Bolsonaro disse o seguinte: "Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não têm informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… Temos problemas… Aparelhamento etc."

Ou PF era o prato feito do almoço, ou o presidente não apenas falou da Polícia Federal. Ele disse na sequência, textualmente, que ia interferir, sim. "E me desculpe o serviço de informação nosso — todos — é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final".

Qual o problema de o presidente falar da Polícia Federal numa reunião ministerial? O problema é que ele disse que não falou. Mentira da parte do presidente sobre um inquérito no STF não é ninharia. Qual o problema de o presidente da República interferir nos órgãos de inteligência? Nenhum, a depender do motivo.

E aí é que a sequência da fala complica Bolsonaro.

 

A insustentável versão do presidente

Outro trecho da transcrição: "Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f* minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira".

Bolsonaro disse que falava da segurança da família. Em nenhum momento ele fala do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que cuida da segurança da família. E o "amigo meu" que ele menciona? O governo não faz segurança de amigo dele. Só faltava essa. O que o amigo faz aí? Amigo não recebe segurança do governo, mas pode ser investigado. Lembra do print de WhatsApp que Sergio Moro divulgou? No qual Bolsonaro falava que a investigação de deputados aliados dele era motivo para trocar o comando da PF? Olha os amigos aí.

No dia seguinte à reunião, Bolsonaro fez mudanças. Trocou o comando da PF. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro, pediu demissão. O responsável pela PF no Rio de Janeiro foi substituído. Na segurança do presidente e no GSI nada mudou.

 

A nudez

Em videoconferência do presidente com empresários, ontem, um dos participantes esqueceu a câmera ligada e apareceu tomando banho. "Tem um peladão aí", exclamou o ministro Paulo Guedes. Com a transcrição da AGU, quem ficou nu foi Bolsonaro, tal qual o imperador de Hans Christian Andersen.

 

Foto do Érico Firmo

É análise política que você procura? Veio ao lugar certo. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.

O que você achou desse conteúdo?