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Cidades como refúgios para polinizadores
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Jornalista, divulgador científico e professor da Universidade Federal de Rondonópolis. É doutor em ecologia pela Universidade Autônoma de Madrid, Espanha

Fabio Angeoletto meio ambiente

Cidades como refúgios para polinizadores

As paisagens urbanas não devem ser negligenciadas como habitat para polinizadores e é provável que a manutenção de polinizadores silvestres em ecossistemas urbanos resulte em um aumento da polinização em terras agrícolas contíguas às cidades
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Veja o que fazer em caso de ataque de abelhas (Foto: Alizadelgun/Freepik)
Foto: Alizadelgun/Freepik Veja o que fazer em caso de ataque de abelhas

As abelhas são os polinizadores mais eficazes de diversas culturas agrícolas. 75% das principais culturas agrícolas do mundo dependem da polinização biótica para a formação de frutos e sementes. Apesar de sua importância, a diversidade de abelhas tem diminuído rapidamente, em âmbito global. Há uma abundante literatura científica que descreve cidades com populações mais diversas e numerosas de abelhas nativas, quando comparadas com áreas rurais.

A expansão agrícola resulta em desmatamentos, e em paisagens menos hospitaleiras para polinizadores. Monoculturas como a soja ocupam milhões de hectares, e, embora a legislação ambiental brasileira determine a preservação de áreas naturais em no mínimo 20% do perímetro das propriedades rurais, desmatamentos ilegais são frequentes.

As paisagens urbanas não devem, portanto, ser negligenciadas como habitat para polinizadores, e é provável que a manutenção de polinizadores silvestres em ecossistemas urbanos resulte em um aumento da polinização em terras agrícolas contíguas às cidades.

Em um artigo inspirador publicado na revista Conservation Biology, [The city as a refuge for insect pollinators], cientistas defendem a execução de políticas para a manutenção de insetos polinizadores nas cidades. As escalas espaciais e temporais pequenas dos insetos polinizadores em termos de ecologia funcional - por exemplo, distribuição de habitats e ciclo de vida, em comparação com animais maiores - oferecem oportunidades para que pequenas ações gerem grandes benefícios. Ações para melhorar seus habitats nas cidades são simples.

Pesquisas sobre insetos polinizadores urbanos mostram que a variável correlacionada com a saúde daqueles artrópodes é o alimento, isto é, a presença de flores. Se há alimento, abelhas e borboletas prosperam.

Nossas cidades são compostas majoritariamente por bairros de casas com quintais. Os quintais têm um enorme potencial para a conservação da biodiversidade e para a segurança alimentar das famílias. A arborização urbana, além dos benefícios como conforto ambiental aos moradores, pode também ser um recurso para polinizadores.

Precisamos fazer inventários das árvores das calçadas e da vegetação dos quintais dos nossos bairros. Esses inventários devem responder quatro perguntas: quanta vegetação há? Que recursos elas oferecem aos polinizadores? Como aumentar a cobertura vegetal em quintais e calçadas? Que plantas os moradores desejam em seus quintais?

Dados sobre como as famílias manejam seus quintais são necessários para elaborar ações bem-sucedidas de plantios. Por exemplo, árvores frutíferas costumam ser bem-vindas, mas espécies que não sejam da cultura alimentar das famílias provavelmente não serão aceitas.

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